domingo, 22 de maio de 2011

Piratas do Caribe 4




A maioria das pessoas afirma - com certa razão - que a principal característica da última década foi a mediocridade no campo artístico (musical, literário, cinematográfico, etc.). Mas os anos 2000 tiveram seus ícones pop, como Kratos e o capitão Jack Sparrow. 

O primeiro filme dos Piratas do Caribe (A Maldição do Pérola Negra) foi muito divertido. É um enredo de fantasia e humor. E a maior estrela é a personagem interpretada (magistralmente) por Johnny Depp. Jack Sparrow é um misto de louco e bêbado (com muitos trejeitos gays, embora ele se interesse por mulheres), que resulta em uma personagem divertidíssima e extremamente carismática. É impossível não deixar de rir com as piadas que ele conscientemente ou inconscientemente faz ao longo do filme. Acho que uma das imagens mais legais que já vi no cinema foi a do capitão Jack chegando a um porto, em cima de um mastro de navio, que estava naufragando, no início do primeiro filme.

O problema é que a sequência (O Baú da Morte) perdeu o rumo e o terceiro filme (No Fim do Mundo) foi um desastre (principalmente por causa do roteiro, ou da falta dele). Confesso que não gostei da terceira parte e imaginava que a franquia iria naufragar (desculpem o trocadilho...hehehe). E por isso recebi a notícia de que  um quarto episódio estava sendo preparado com um certo ceticismo, afinal, "No Fim do Mundo" foi realmente MUITO ruim.

Logo, não tinha muitas expectativas quando fui assistir "Navegando em Águas Misteriosas" (odeio esse subtítulo!). Mas tive a grata surpresa de que sim, o filme é BOM! Os produtores deixaram de lado aqueles enredos confusos dos episódios anteriores e apostaram naquilo que a franquia tem de melhor: personagens incrivelmente carismáticos e divertidos.

No quarto filme retornam grandes atores, como Geoffrey Rush (Hector Barbossa) e o próprio Depp, além de uma inspiradíssima Penélope Cruz (Angélica) e do veterano Ian McShane (Barba Negra). Keith Richards mais uma vez faz uma ponta, mas desta vez sua participação tem maior relevância. Saem de cena Orlando Bloom e Keira Knightley (que realmente não fazem muita falta). Não pude deixar de notar que "Piratas 4" segue um caminho bastante diferente de seu antecessor e sequer se preocupa em esclarecer as cenas iniciais e finais de "Piratas 3" (e acho isso uma grande sacanagem com o público). Mas deixando esse detalhe de lado, foi bom constatar que a franquia voltou ao básico e finalmente entrou nos eixos.

Os 130 minutos do filme são recheados de aventura, fantasia e humor. Bastante humor. E não poderia ser diferente, em se tratando de Jack Sparrow. Desta vez, o capitão pretende encontrar a Fonte da Juventude, guiado por sua misteriosa bússola (o único elo de ligação com os filmes anteriores, provavelmente). Mas seus planos são comprometidos por Angélica e Barba Negra, que também buscam a Fonte, visando seus próprios interesses. Aliás, Jack e Angélica formam uma boa dupla, apesar de não serem propriamente um casal. O diretor Rob Marshall cumpre bem sua função e apresenta enquadramentos e cenas melhores do que aquilo que se viu em "Piratas 2" e "3". A trilha sonora (cortesia de Hans Zimmer) também acompanha bem o desenvolvimento da trama (a cena do "quase-beijo" de Jack e Angélica e o abrupto corte da música de fundo são hilariantes). 

E por se tratar de um filme que pretende reiniciar a franquia, há propositalmente algumas pontas soltas, além de uma cena pós-créditos (para azar de quem sai do cinema antes).

Moral da história: é um filme muito melhor e mais divertido do que Thor. Com certeza vale o ingresso! =D

domingo, 1 de maio de 2011

Review: Batman # 100

Batman # 100




Pela primeira vez em décadas, a Revista do Batman chega à marca de cem edições publicadas no Brasil, feito que, antes da Panini, só havia sido obtido pela antiga editora Ebal.

Enfim, era para ser uma edição comemorativa e tals, mas as histórias do Tony Daniel estragam o humor de qualquer leitor.

E por falar nelas, essa edição se inicia justamente com a continuação da trama que Daniel criou com o Máscara Negra. Batman aparece quase desacordado e muito ferido no Porto de Gotham e é resgatado por Damian. Aos poucos, ele vai se lembrando de que esteve sob o controle do Pinguim e do Chapeleiro Louco e atacou diversos desafetos dessa dupla, incluindo a Mulher-Gato e Kitrina, além do próprio Máscara Negra. E justamente durante o confronto com este último vilão, Batman é alvejado por diversos tiros disparados pelo Máscara. E as balas no colete do Batman são a pista final para a identidade do chefão de Gotham.

Com a ajuda da Mulher-Gato e de Kitrina (que passou a ser uma espécie de "aprendiz-parceira" de Selina), Batman consegue obter a localização do esconderijo do Máscara Negra e invade o Quadrado do Demônio juntamente com uma equipe (chamada "a rede"), que inclui Batwoman, Pantera, Katana, Caçadora, Robin Vermelho, Morcego Humano, Retalho e talvez outros personagens que o Daniel teve preguiça de desenhar.  =P

Para resumir, Dick confronta o Ceifador, mas não consegue prendê-lo, porque tem assuntos mais urgentes a resolver com o Máscara. E após uma longa luta que deveria ter sido vencida facilmente, Batman finalmente derrota o Máscara Negra, que na verdade é... o Dr. Jeremiah Arkham.

...

Sim, isso mesmo. Este deveria ser um momento dramático, mas a trama foi tão mal construída que praticamente não há nenhum "impacto" nessa revelação. O médico que durante tantos anos tratou dos piores doentes mentais de Gotham é agora um deles. E é isso.

Tony Daniel nem sequer se preocupou em explicar qual o interesse do Dr. Hugo Strange, ou do Dr. Morte em ajudar o Máscara Negra. Aparentemente, ambos simplesmente se contentaram em auxiliar Arkham em seus planos e dividir o espólio. Isso demonstra claramente como a trama foi mal-conduzida. E a má-notícia é que  

Na sequência há duas histórias curtas, feitas por equipes criativas praticamente desconhecidas. Ambas tentam explorar melhor a relação entre Dick e Damian, assim como o "bom-samaritanismo" de Alfred. Não há nada de relevante nelas e por isso vou poupá-los da chatice.

E por fim, temos a história "O Tempo e o Batman", assinada por Grant Morrison.



Esta história foi feita como forma de homenagem ao número 700 da revista Batman nos EUA. Nela, Morrison utiliza todos os Batmen com quem já trabalhou: Bruce Wayne, Dick Grayson, Damian Wayne, Batman de "DC 1.000.000" e, ainda, Terry McGinnis (do desenho Batman do Futuro). O engraçado é que muitas pessoas que leram essa história fizeram resenhas bastante superficiais, talvez porque não tenham conseguido entendê-la satisfatoriamente.


Grant Morrison usa um recurso fantástico (para variar), no caso, uma máquina extraordinária, como um elo de ligação entre diferentes versões do Batman, através do tempo. Essa é sua forma de render tributo a um personagem tão querido por ele e por milhões de leitores ao redor do mundo. Como de costume, não há uma explicação direta, "mastigada" para o leitor. Pelo contrário, o entendimento dos fatos decorre da atenção aos pequenos detalhes e pistas deixados pelo caminho (ou seja, do jeito que o escocês gosta).


A trama começa (provavelmente) no início da carreira da dupla-dinâmica original (Bruce Wayne e Dick Grayson), sendo que o Batman é (propositalmente?) caracterizado de forma bastante semelhante ao do seriado dos anos 1960. Bruce e Dick são reféns do Coringa, Charada, Mulher-Gato e outros vilões, que se utilizam de um equipamento fantástico chamado "Máquina Talvez". Essa máquina foi criada pelo Professor Carter Nichols e ela permite que uma pessoa possa vislumbrar como fatos poderiam ter ocorrido, se a história não houvesse seguido seu curso "normal". A Máquina permite inclusive um tipo de transferência temporal. O plano do Coringa é simples: ele pretende voltar no tempo, até o momento exato em que o Batman foi "criado" (ou seja, o momento em que os pais de Bruce são mortos) e apagá-lo da existência. Como era de se esperar, Batman e Robin conseguem derrotar os vilões e resgatar o Professor Nichols, mas um detalhe importante é a menção sobre o "livro de piadas do Coringa" (um registro de anotações, planos e pensamentos insanos).


Corte para o presente. Dick e Damian são chamados pelo Comissário Gordon ao laboratório do Prof. Nichols. O cientista aparentemente foi baleado dentro de uma sala fechada por dentro e, estranhamente, aparenta ser muito mais idoso do que deveria ser. E ao lado do corpo, é encontrada a Máquina Talvez. O caso parece aparentemente sem solução, mas Dick aposta em suicídio. O detalhe é a participação "especial' dos Mutantes, a gangue de rua que, na série "O Cavaleiro das Trevas" domina Gotham City.


Há outro corte para o futuro, onde Damian já é adulto e se torna um Batman muito mais violento e sem as "restrições morais" de seu pai. Damian enfrenta o Duas-Caras do futuro, que ameaça a cidade com uma poderosa toxina e está interessado no livro de piadas do Coringa. O interessante é que, ao lado do Duas-Caras, está o Prof. Nichols, inconsciente, mas ainda vivo.


Durante o embato com o Duas Caras, Batman tem de se preocupar com uma criança, mantida como refém e, inesperadamente, recebe o auxílio de uma segunda versão do Prof. Nichols, mais jovem do que aquele que está ao lado do Duas Caras. O Prof. Nichols "mais jovem" esclarece que se ressentia pelo fato do Batman (Wayne) ter sido torturado psicologicamente pelos vilões (na primeira parte) e, por isso, estava viajando pelo tempo para consertar todos os desdobramentos históricos da Máquina Talvez, inclusive retornando ao passado e destruindo os esboços que deram origem à sua criação e assassinando sua versão do futuro (a idosa). O Prof. Nichols "mais jovem" troca de lugar com sua versão mais velha (por isso ela aparece no "presente" de Dick Grayson) para poder viajar pelo tempo. O livro de piadas do Coringa acaba sendo consumido pelo incêndio que se segue no esconderijo do Duas-Caras II.

Há um novo corte para o futuro e vemos vários Batmen diferentes, como Terry Mcginnis e o Batman de "DC 1.000.000", mostrando que o Legado do Morcego se perpetua pela história. Essa é uma bela homenagem de Morrison a um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos. Aliás, quando se fala em heróis, é incontestável que os dois maiores personagens já criados são justamente Superman e Batman. É uma pena que a Warner/DC não dê um tratamento digno às suas duas maiores criações e, justamente por isso, tenha que amargar a segunda posição em vendas há muitos anos.

 Para fechar a revista, há uma galeria de capas de vários artistas, incluindo Bill Sienkiewicz e informações sobre a batcaverna.


E aproveito para anunciar uma mudança no formato das resenhas. Eu percebi que, no decorrer dos posts, passei a resumir as histórias e fui gradativamente deixando a análise crítica delas em segundo plano. De certo modo, me senti obrigado a narrar os fatos para justificar alguns argumentos, mas não devo prosseguir nessa linha. Então, da próxima vez, teremos um review diferente e, certamente, mais "enxuto".


Até lá!  =)

Review: Batman # 99

Estou atrasado com os reviews de novo. Na verdade, estou atrasado com as atualizações do blog. Nessa semana percebi que já faz mais de um mês desde a minha última postagem. Enfim, você pode e deve escrever quando está disposto e tem algo a dizer.

Na verdade, eu percebi que estava realmente atrasado quando vi a edição # 101 hoje nas bancas.  =P

Ao trabalho, então.

Batman # 99




Na continuação do arco de Tony Daniel, Dick vai atrás do Pinguim, para descobrir o paradeiro de Kitrina, a menina que, aparentemente, é irmã mais nova de Alberto Falcone e que estava no local da explosão que aparentemente "trouxe" o antigo Charada de volta. Ela havia pego os mapas que levam ao Quadrado do Demônio, a base do Máscara Negra. E por falar nele, temos mais algumas pistas sobre sua identidade e descobrimos que o vilão tem duas personalidades distintas, que se alternam conforme ele usa a máscara ou a retira do rosto. Isso certamente nos faz lembrar de alguns vilões mais conhecidos, mas garanto que eles não tem relação alguma com o Máscara.

No asilo Arkham, toda uma equipe de geneticistas é morta em um suposto "acidente" no elevador de serviço e a estranheza do fato chama a atenção da polícia e do Batman. O Morcego também é informado de que o rapaz que lhe passou informações e que havia sido alvejado não resistiu aos ferimentos.

Na segunda história, que continua a trama da primeira, Batman descobre que Kitrina havia sido trancada em um caixão e jogada em um rio para morrer. Mas a menina havia conseguido escapar e se esconder em um abrigo na cidade, onde é localizada pela Mulher-Gato. Esta, por sua vez, informa que roubou os mapas do Quadrado do Demônio e as duas passam a discutir sobre a recompensa oferecida pelo governo pela captura do Máscara Negra, de nada menos do que cinquenta milhões de dólares. No asilo Arkham, Batman tem uma conversa interessante com o Dr. Jeremiah Arhkam, na qual o detetive percebe que o médico está usando uma arma de fogo. O Dr. Arkham explica que aquela é apenas uma medida protetiva temporária e que as balas no revólver são de borracha.

Nas ruas de Gotham, o Ceifador quase mata Alberto Falcone, mas é impedido pela Caçadora e pelo Batman. Durante o confronto, o Ceifador e Falcone acabam escapando (sim, é o mesmo clichê de sempre...).

Kitrina consegue escapar da Mulher-Gato e Batman tem interesse em localizá-la para obter informações sobre o esconderijo do Máscara Negra e resgatar os inúmeros reféns que ele mantém em seu poder. Seguindo algumas pistas, Batman vai para um parque de diversões abandonado e acaba caindo em uma armadilha preparada pelo Pinguim e seu novo aliado, o Chapeleiro Louco (uau, dois clichezões em seis páginas!). O Pinguim decide colocar uma máscara de Face Falsa no Morcego, de modo a forçar o herói a fazer o que ele deseja.

Na história assinada por Grant Morrison, Batman explica ao Cavaleiro e à Escudeira que a Batwoman estava gravemente ferida e decidiu usar toda a morfina disponível para provocar uma overdose e morrer, contando com o poder de ressurreição do poço de Lázaro. Enquanto isso, o clone do Batman retorna a Gotham e parte para cima de Damian (que ainda estava se recuperando da cirurgia feita na edição anterior). O garoto é esperto e consegue fazer o clone pisar em combustível e incendiá-lo com uma faísca. Mas isso não é suficiente e o clone leva Damian para a cobertura da Torre Wayne. Um pouco antes, na Inglaterra, a Batwoman revive após ser mergulhada no poço de Lázaro e Dick retorna à Gotham, bem a tempo de salvar Damian, com a ajuda da Batwoman. No fim, Dick é forçado a reconhecer as evidências de que Bruce Wayne está vivo e que é necessário encontrá-lo.




Continua no próximo post!  =)

terça-feira, 22 de março de 2011

O Discurso do Rei







"O Rei está morto. Vida longa ao Rei!"

Não é fácil ser Rei do Império Britânico a partir do século XX. Os avanços tecnológicos (como  o rádio) e as subsequentes transmissões feitas à longa distância contribuíram para aproximar os Chefes de Estado do "cidadão comum". E essa "aproximação" se tornou fundamental durante as duas Grandes Guerras. Os pronunciamentos dos líderes eram muito aguardados, tanto para encorajar seus povos, quanto para transmitir informações sobre o destino das nações.

Era o início de uma era onde a privacidade dos governantes seria paulatinamente mitigada, até praticamente deixar de existir (como notamos hoje).

O Discurso do Rei é ambientado nos anos finais do reinado de George V (Michael Gambon), quando paira sobre a Europa o temor de uma segunda guerra mundial. George V tem dois filhos: David (o mais velho, vivido por Guy Pearce) e Albert (Colin Firth). David leva uma vida boêmia e totalmente irresponsável, enquanto Albert seguiu uma disciplinada carreira militar e tenta superar um problema sério para uma figura pública: a gagueira. O discurso do príncipe Albert no estádio de Wembley torna claro que o problema tem de ser solucionado, pois um membro da Família Real deve falar com clareza a seus súditos para inspirar-lhes confiança e coragem.

Albert recorre a vários médicos, sem sucesso, até que sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), sai a procura de um profissional que lhe havia sido recomendado: Lionel Logue (Geoffrey Rush), especialista em problemas da fala. E é no momento em que Geoffrey Rush entra em cena que a mágica do filme começa a funcionar. Sua interpretação do personagem é tão consistente, tão real, que é praticamente impossível ao espectador não simpatizar com sua personagem. 

Logue começa a ajudar Albert com métodos bastante estranhos e pouco ortodoxos, mas que se revelam eficientes. Aos poucos, descobrimos que o problema de Albert (ou "Bertie", como é chamado por seus familiares e também por Logue) tem origens psicológicas e é uma consequência de uma infância problemática.


Na verdade, Albert é um típico aristocrata inglês, com sua frieza, mau-humor, arrogância e formalismo. Mas  todas essas características negativas são resultado das restrições e da rigidez com a qual fora tratado desde criança. Aliás, o fato de ser um príncipe não o livrou de sofrer maus-tratos de sua babá, que lhe causaram problemas de estômago por toda a vida.


Confesso que achava que o filme iria abordar mais o contexto da Segunda Guerra Mundial, mas me enganei. O foco é a vida privada dos membros da realeza e isto foi um grande acerto. Há momentos de humor e momentos muito tristes, como acontece na vida cotidiana de qualquer um. Um drama envolvente, que soube humanizar grandes figuras históricas e, sem dúvida alguma, mereceu todos os prêmios que recebeu.


O filme mostra que, ao contrário do que a maioria de nós pensa, a vida de um príncipe pode não ser regada a luxos e prazeres. Ter um único amigo para lhe fazer companhia nos momentos difíceis, ou casar com quem se ama, podem ser privilégios exclusivos do "cidadão comum".


Aos poucos Albert cria um vínculo de amizade com Logue; vínculo este que iria perdurar por toda a vida de ambos. E na história dessa amizade reside a beleza do filme. Pode-se dizer que essa é a história do plebeu que ajudou um príncipe a se tornar um grande Rei.


O Discurso do Rei é melhor compreendido após um estudo do período histórico e das personagens envolvidas (George V, Eduardo VIII, George VI, Winston Churchill). Albert, ou George VI (nome que assumiu ao subir ao trono) é pai da centenária Rainha Elizabeth II (que inclusive aparece no filme, junto com sua irmã, princesa Margaret). 


O fato é que, apesar da Inglaterra impor ao mundo uma política colonialista que desrespeitou diversas culturas e povos durante séculos, ela foi o único país europeu que conseguiu combater a Alemanha nazista de Hitler com certa eficiência. A Inglaterra conseguiu resistir até 1943, quando os americanos finalmente acordaram de sua letargia e entraram no conflito. E se hoje o mundo inteiro não é dominado pelo nazismo, nós devemos isso à bravura dos ingleses e de seus líderes, como George VI, Winston Churchill e, por que não, de pessoas simples, como o sr. Lionel Logue.


Grande filme! Altamente recomendado! =D

segunda-feira, 14 de março de 2011

Bravura Indômita



E aqui temos o filme mais injustiçado do Oscar 2011. Apesar de concorrer em dez categorias (entre elas melhor filme, melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor ator, melhor atriz coadjuvante...) o filme dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Cohen não conseguiu levar nenhuma estatueta, enquanto aquela droga de "Alice" conseguiu duas.

Incrível como a Academia premia tantos filmes ruins. Assim fica evidente que os prêmios são concedidos por outras razões que não a arte em si (algum dia ainda vão abrir a "caixa preta" de Hollywood...).

Ok, este filme não é tão bom quanto O Discurso do Rei, mas ainda sim é melhor do que Alice.

Essa é uma nova versão do livro de Charles Portis ou, como muitos dizem por aí, um simples remake do filme clássico estrelado por John Wayne. Na história, o pai da menina Mattie Ross (interpretada de forma brilhante por Hailee Steinfeld) é assassinado por um de seus colaboradores em uma pequena cidade, o que desperta em Mattie um sentimento de vingança e de justiça (mas vale lembrar: na época do velho oeste, a "justiça" significa enforcar um assassino em praça pública). Não que eu ache isso absurdo, muito pelo contrário, com certeza esse procedimento deveria ser mantido, em se tratando de assassinos (e para alguns políticos, também).

O fato é que Mattie descobre que o assassino de seu pai, chamado Tom Chaney (Josh Brolin), fugiu da cidade para um território indígena, onde dificilmente será encontrado, devido à escassez de recursos disponíveis e ao fato de que o crime não seria tratado como prioridade pelos agentes da lei.

Para Mattie, a ideia do assassino de seu pai escapar impune era intolerável e ela decide contratar o agente federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges) para caçar Chaney pelo território indígena. Contra a sua vontade, Mattie também recebe a ajuda do Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon). 

E já no início do filme percebemos que o adjetivo "bravura indômita" não se refere aos personagens masculinos, mas é atribuído à Mattie, que nunca recua diante dos muitos obstáculos que surgem em seu caminho. De fato, a menina parece obcecada pela ideia de vingança e a atriz que a interpreta soube transmitir muito bem essa característica da personagem. Mattie é decidida e durona, apesar de contar com apenas catorze anos. A parceria com Cogburn rende muitos momentos engraçados, mas, nos vinte minutos finais o filme se transforma em drama e assume um tom bem sério.

Em sua jornada, as três personagens vão descobrir muito uns sobre os outros, assim como sobre si mesmos. E acho que a interação entre elas só não é melhor porque Matt Damon não pareceu muito inspirado em seu papel (ou talvez porque tenha sido ofuscado pelo imenso talento de Hailee e Bridges).

Particularmente, não me importei muito com os tiros, enforcamentos, mutilações e demais mortes. O que me incomodou mesmo foram as cenas onde os cavalos morrem ou são sacrificados. Os animais sempre foram vítimas da estupidez humana...

Bravura Indômita é um bom filme e atende sua principal finalidade, a de entreter o público. E sem dúvida alguma vale o ingresso!



domingo, 27 de fevereiro de 2011

Reviews: Batman # 97 e Batman # 98

Batman # 97






Estou bastante atrasado com os reviews, então, dessa vez, vou mandar dois pelo preço de um. E acredito que essa edição # 97 seja um tanto problemática. Na primeira história, escrita e rabiscada pelo Tony Daniel, o leitor "cai de pára-quedas" em circunstâncias que não haviam sequer sido comentadas nas edições anteriores. Para começar, o agora overpower chefão do crime Máscara Negra enfrenta a Guarda Nacional dos E.U.A. e foi encurralado em um perímetro de Gotham chamado de "Quadrado do Demônio" (?).

Ao ler essa história imaginei que ela seria um desdobramento de outros fatos mostrados possivelmente em outras revistas do Morcego (e não publicadas pela Panini). Mas também é possível que seja simplesmente (mais um) erro de roteiro do Tony Daniel. Tudo é possível. De qualquer modo, o bat-editor poderia situar o leitor desavisado por meio de uma simples nota de rodapé, ou mesmo inserir um texto explicativo... mas estamos falando da Panini, não é mesmo? 

O fato é que Batman encontra vários capangas do Máscara Negra mortos por aí e começa a se preocupar com um possível ataque da Guarda Nacional, pois o Máscara Negra mantém "milhares" de gothamitas (??) presos no
"Quadrado do Demônio". Além disso, parece que o vilão começa a recrutar pessoas sem ficha-criminal e que não possuem nenhum tipo de inclinação para o crime. Por isso não há explicação para o envolvimento dessas pessoas em atividades criminosas dentro da quadrilha do Máscara. Sério, essa história já te joga todas essas informações e a sensação é a mesma de andar vendado por um labirinto. 

Descobrimos que o Máscara Negra está trabalhando com Hugo Strange, Terror e o Dr. Morte (todos vilões e inimigos do Morcego, já conhecidos pelos leitores). Paralelamente, Batman tenta descobrir o local exato onde o Máscara Negra se esconde... com milhares de reféns (algo muito difícil para um detetive, não é?). E justamente seguindo uma pista Batman reencontra um ilustre membro de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade: Mario Falcone. Ele está de volta a Gotham e, desta vez, parece ter seguido os passos de seu pai. Além disso, o Máscara Negra consegue descongelar e aparentemente reviver alguém com péssimas lembranças da Segunda Guerra Mundial. Não estou certo sobre a identidade dele, por isso pretendo confirmar isso nas próximas edições.


Na segunda história da revista, temos a continuação daquela chateação feita pelo Chris Yost e Dustin NGuyen. Para resumir, posso dizer que a Caçadora e o Morcego Humano recebem o apoio do Batman e os três descobrem que há um assassino contratado para matar uma lista de pessoas, a mando do Máscara Negra. Esse assassino utiliza um traje que lhe permite ficar invisível e, com isso, se tornar muito mais eficiente. O Morcego Humano é o único que consegue "vê-lo", porque sua visão funciona como um sonar. E no momento em que o padre parece prestes a matar os vigilantes, ele ataca e nocauteia o assassino oculto, dando a entender que apenas fingiu ter enlouquecido.... dãaaaaa.....


Sabe, essa história não acrescenta absolutamente nada. A Caçadora já foi uma personagem legal, mas infelizmente ela vive progredindo e regredindo conforme os roteiristas a utilizam ao longo dos anos. Para alguém que já foi membro da Liga da Justiça e que trabalha a tanto tempo com o Batman e seus aliados, já estava na hora dela superar esse lance de "descontrole" e "violência excessiva". Espero que algum escritor ainda aproveite o potencial dela, porque ela tem.


Na última história da edição, percebe-se um erro de continuidade logo no início (até tu, Morrison?). Na edição anterior (#96), a dupla dinâmica havia sido derrotada por Jason Todd e sua nova ajudante, Escarlate. Nesse momento, o Flamingo aparece e a história termina. Na edição seguinte (#97), Dick e Damian aparecem amarrados, enquanto Jason e Escarlate enfrentam o Flamingo. Logo... ou Jason "pediu licença" para prender Batman e Robin enquanto Escarlate servia café para o Flamingo, ou Morrison esqueceu o ponto de ligação entre as duas histórias (ou simplesmente ignorou a continuidade, por conveniência). Entendo que, do ponto de vista do roteiro, é muito mais legal deixar o vilão sinistro aparecer no final e criar um clima de suspense, mas, nesse caso, Morrison precisaria retomar a trama desse ponto e mostrar Dick e Damian caídos entre o Flamingo e Jason.


Bom, deixando esse "detalhe" de lado, Jason "Capuz Vermelho" Todd e Escarlate confrontam o Flamingo enquanto Dick e Damian percebem que foram presos e colocados diante de uma câmera de TV. Jason colocou no ar um comercial no qual promete que Batman e Robin aparecerão nus caso seja alcançada uma determinada quantidade de ligações para um número qualquer. Em outras palavras, a câmera de TV será ligada assim que a quantidade de ligações for atingida, o que deve acontecer rápido. No entanto, Damian é esperto e consegue afrouxar as cordas, o que permite que a dupla dinâmica se liberte antes que a câmera seja ligada. Batman e Robin ainda conseguem ajudar na luta com o Flamingo, mas esse último leva vários tiros nas costas e fica incapacitado. O Flamingo acaba sendo derrotado e é dado como morto, mas seu corpo não é localizado. Antes de ser preso, Jason provoca Dick, lembrando seu antecessor de que ele tem os meios para trazer Bruce Wayne de volta e somente não faz isso porque não quer. Dick quase perde o controle diante disso, mas é contido por policiais. Durante o confronto a Escarlate foge e consegue se livrar da máscara facial do Dr. Porko. De volta à batcaverna, Dick abre um cofre, no qual estão guardados os restos mortais de Bruce Wayne (supostamente).


E mais uma vez Morrison cria um nó na cabeça do leitor. Aqueles que acompanharam a Crise Final, na qual Bruce Wayne é morto e, mais recentemente, A Noite Mais Densa, sabem que os restos de Bruce Wayne haviam sido colocados num túmulo ao lado da lápide de seus pais (sendo que o vilão Mão Negra havia roubado o crânio de Bruce para trazê-lo de volta como Lanterna Negro). Como explicar então que os restos mortais do Morcego estavam na batcaverna? Essas e outras perguntas criam uma enorme e desnecessária confusão, o que tira o brilho do trabalho do escocês.


No geral, é uma edição mediana e nem mesmo a história de "Batman & Robin" conseguiu elevar o nível da revista.




Batman #98






Retomando a trama criada por Tony Daniel, Batman e Robin continuam procurando pistas sobre o esconderijo do Máscara Negra, sem muito sucesso. Nessa história temos algumas dicas importantes sobre a possível identidade do atual Máscara Negra. Tony Daniel também faz algo extremamente errado ao devolver o status de vilãozinho de segunda ao Charada. O Charada havia passado por reformulações recentemente e a única que realmente resultou em algo bom foi aquela em que ele se redimia de seus crimes e passava a trabalhar como detetive particular, muitas vezes pentelhando o Batman. Esse era um rumo diferente e muito mais promissor do que aquele em que o Charada já trilhou há muitos anos. Voltar a ser um  bandido obcecado por enigmas é um regresso que o editor das revistas americanas não deveria permitir.


Nessa edição Batman consegue uma pista importante sobre o Máscara Negra, mas o jovem que lhe forneceu a informação é baleado.


Na segunda história, temos a continuação do trabalho de Grant Morrison, com o traço razoável de Cameron Stewart (que é muito melhor do que Philip Tan, diga-se de passagem). Ainda acho incrível como a DC erra ao negar um bom artista para trabalhar com o escocês. Depois de tanto tempo com o Andy Kubert e três edições com o Quitely, o leitor ficou acostumado com a boa qualidade da arte e a editora deveria se preocupar em manter o nível. 


Bem, no enredo, Batman viaja para a Inglaterra e mais uma vez volta a trabalhar com a Escudeira e Cyril, heróis ingleses que haviam participado do Clube dos Heróis, uma associação de vigilantes do qual o Batman chegou a fazer parte no passado.


O fato é que há um poço de Lázaro na Inglaterra e Dick planeja levar o cadáver de Bruce até lá, para reviver seu mentor (seguindo o "conselho" de Jason Todd). Enquanto isso, em Gotham, Damian se submete a uma sofisticada cirurgia para reparar os danos causados pelos tiros do Flamingo. Tália aparece apenas para garantir que tudo irá transcorrer bem e parte assim que a cirurgia é encerrada. Na mina, Batman encontra a Batwoman (?), que estava perseguindo uma quadrilha de fanáticos criminosos... sim, essa explicação é furada e a participação dela é dispensável, mas acho que a DC está se esforçando para que a personagem decole, então é possível que haja a intenção de colar a Batwoman em personagens famosos para agregar um pouco de popularidade a ela.


Enfim, depois de convencer a Batwoman, Dick finalmente submerge o corpo de Bruce no poço e, na história seguinte, a Batwoman explica melhor como chegou até a mina e como foi capturada. Depois, o "Batman/Bruce" submerge do poço e passa a atacar Dick, Batwoman, Escudeira e Cyril, ao mesmo tempo. Mas nesse momento descobrimos que aquele não é o cadáver de Bruce Wayne, mas sim um clone (?) criado por Darkseid por motivos que permanecem obscuros... (sério, acho que está na hora de parar de ler gibis de heróis...).


Bem, o cadáver consegue deixar todos presos na mina e parte para Gotham, onde é recebido por Alfred e Damian (que ainda está se recuperando da cirurgia). Na mina, a Batwoman é seriamente ferida e corre risco de morte. A edição termina com o clone encarando Damian e prestes a trucidá-lo.


Numa avaliação breve, posso dizer que Batman & Robin não tem mais aquele clima leve e descontraído que marcaram as primeiras edições. Mas acho que Morrison está dando voltas demais no roteiro. Depois de tantas críticas sobre Crise Final e sobre a confusão gerada com o destino de Bruce Wayne, o escritor deveria tentar simplificar as coisas para os leitores. É claro que, quando se trata do Morrison, nada é de graça e, certamente, ele deve ter alguma razão para incluir todos esses elementos e personagens. E por enquanto, ainda não é possível saber para onde as coisas vão caminhar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Supreme Class Starscream

Saudações! Estamos voltando em 2011 em grande estilo! E quando digo "GRANDE" estou falando sério! Devido a problemas técnicos, tive de esticar as "férias" do blog por mais tempo, porém agora pretendo fazer atualizações semanais ou quinzenais, na medida do possível.

Este é o Starscream da série Cybertron (que não foi exibida no Brasil, como a maioria). Apesar de não colecionar essa linha, sempre fui muito fã do personagem e, como este modelo é a única versão na maior classe de brinquedos da Hasbro, ou seja, supreme class, não tive dúvidas de pegar um quando a oportunidade surgiu.


E é bom lembrar que, apesar de ser o líder dos Decepticons desde a série original, o próprio Megatron não tem uma versão supreme.... LOOOOOOOSEEEEER!!!    =P



 










Bem, esse Starscream é um tanto diferente de sua versão original (a personagem da G1). Na série Cybertron ele é um exímio guerreiro, extremamente cruel. Após ser reformatado adquiriu um novo modo alternativo (um jato alienígena), lâminas nos braços e os já tradicionais disparadores de raios nulos (veja o perfil completo dele aqui).

É interessante notar que, apesar de ser a maior classe de brinquedos da linha Transformers, a maioria dos Supreme Class não conta com boas articulações e a poseabilidade é um tanto limitada. No caso do Starscream, ele é praticamente idêntico à sua versão voyager class, só que obviamente maior. Como todos os Supreme, ele conta com um botão para sons e luzes, mas esses detalhes são bastante restritos em relação a modelos mais novos, como o Ultimate Bumblebee e o ROTF Devastator.

All hail Starscream!