segunda-feira, 14 de março de 2011

Bravura Indômita



E aqui temos o filme mais injustiçado do Oscar 2011. Apesar de concorrer em dez categorias (entre elas melhor filme, melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor ator, melhor atriz coadjuvante...) o filme dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Cohen não conseguiu levar nenhuma estatueta, enquanto aquela droga de "Alice" conseguiu duas.

Incrível como a Academia premia tantos filmes ruins. Assim fica evidente que os prêmios são concedidos por outras razões que não a arte em si (algum dia ainda vão abrir a "caixa preta" de Hollywood...).

Ok, este filme não é tão bom quanto O Discurso do Rei, mas ainda sim é melhor do que Alice.

Essa é uma nova versão do livro de Charles Portis ou, como muitos dizem por aí, um simples remake do filme clássico estrelado por John Wayne. Na história, o pai da menina Mattie Ross (interpretada de forma brilhante por Hailee Steinfeld) é assassinado por um de seus colaboradores em uma pequena cidade, o que desperta em Mattie um sentimento de vingança e de justiça (mas vale lembrar: na época do velho oeste, a "justiça" significa enforcar um assassino em praça pública). Não que eu ache isso absurdo, muito pelo contrário, com certeza esse procedimento deveria ser mantido, em se tratando de assassinos (e para alguns políticos, também).

O fato é que Mattie descobre que o assassino de seu pai, chamado Tom Chaney (Josh Brolin), fugiu da cidade para um território indígena, onde dificilmente será encontrado, devido à escassez de recursos disponíveis e ao fato de que o crime não seria tratado como prioridade pelos agentes da lei.

Para Mattie, a ideia do assassino de seu pai escapar impune era intolerável e ela decide contratar o agente federal Rooster Cogburn (Jeff Bridges) para caçar Chaney pelo território indígena. Contra a sua vontade, Mattie também recebe a ajuda do Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon). 

E já no início do filme percebemos que o adjetivo "bravura indômita" não se refere aos personagens masculinos, mas é atribuído à Mattie, que nunca recua diante dos muitos obstáculos que surgem em seu caminho. De fato, a menina parece obcecada pela ideia de vingança e a atriz que a interpreta soube transmitir muito bem essa característica da personagem. Mattie é decidida e durona, apesar de contar com apenas catorze anos. A parceria com Cogburn rende muitos momentos engraçados, mas, nos vinte minutos finais o filme se transforma em drama e assume um tom bem sério.

Em sua jornada, as três personagens vão descobrir muito uns sobre os outros, assim como sobre si mesmos. E acho que a interação entre elas só não é melhor porque Matt Damon não pareceu muito inspirado em seu papel (ou talvez porque tenha sido ofuscado pelo imenso talento de Hailee e Bridges).

Particularmente, não me importei muito com os tiros, enforcamentos, mutilações e demais mortes. O que me incomodou mesmo foram as cenas onde os cavalos morrem ou são sacrificados. Os animais sempre foram vítimas da estupidez humana...

Bravura Indômita é um bom filme e atende sua principal finalidade, a de entreter o público. E sem dúvida alguma vale o ingresso!



domingo, 27 de fevereiro de 2011

Reviews: Batman # 97 e Batman # 98

Batman # 97






Estou bastante atrasado com os reviews, então, dessa vez, vou mandar dois pelo preço de um. E acredito que essa edição # 97 seja um tanto problemática. Na primeira história, escrita e rabiscada pelo Tony Daniel, o leitor "cai de pára-quedas" em circunstâncias que não haviam sequer sido comentadas nas edições anteriores. Para começar, o agora overpower chefão do crime Máscara Negra enfrenta a Guarda Nacional dos E.U.A. e foi encurralado em um perímetro de Gotham chamado de "Quadrado do Demônio" (?).

Ao ler essa história imaginei que ela seria um desdobramento de outros fatos mostrados possivelmente em outras revistas do Morcego (e não publicadas pela Panini). Mas também é possível que seja simplesmente (mais um) erro de roteiro do Tony Daniel. Tudo é possível. De qualquer modo, o bat-editor poderia situar o leitor desavisado por meio de uma simples nota de rodapé, ou mesmo inserir um texto explicativo... mas estamos falando da Panini, não é mesmo? 

O fato é que Batman encontra vários capangas do Máscara Negra mortos por aí e começa a se preocupar com um possível ataque da Guarda Nacional, pois o Máscara Negra mantém "milhares" de gothamitas (??) presos no
"Quadrado do Demônio". Além disso, parece que o vilão começa a recrutar pessoas sem ficha-criminal e que não possuem nenhum tipo de inclinação para o crime. Por isso não há explicação para o envolvimento dessas pessoas em atividades criminosas dentro da quadrilha do Máscara. Sério, essa história já te joga todas essas informações e a sensação é a mesma de andar vendado por um labirinto. 

Descobrimos que o Máscara Negra está trabalhando com Hugo Strange, Terror e o Dr. Morte (todos vilões e inimigos do Morcego, já conhecidos pelos leitores). Paralelamente, Batman tenta descobrir o local exato onde o Máscara Negra se esconde... com milhares de reféns (algo muito difícil para um detetive, não é?). E justamente seguindo uma pista Batman reencontra um ilustre membro de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade: Mario Falcone. Ele está de volta a Gotham e, desta vez, parece ter seguido os passos de seu pai. Além disso, o Máscara Negra consegue descongelar e aparentemente reviver alguém com péssimas lembranças da Segunda Guerra Mundial. Não estou certo sobre a identidade dele, por isso pretendo confirmar isso nas próximas edições.


Na segunda história da revista, temos a continuação daquela chateação feita pelo Chris Yost e Dustin NGuyen. Para resumir, posso dizer que a Caçadora e o Morcego Humano recebem o apoio do Batman e os três descobrem que há um assassino contratado para matar uma lista de pessoas, a mando do Máscara Negra. Esse assassino utiliza um traje que lhe permite ficar invisível e, com isso, se tornar muito mais eficiente. O Morcego Humano é o único que consegue "vê-lo", porque sua visão funciona como um sonar. E no momento em que o padre parece prestes a matar os vigilantes, ele ataca e nocauteia o assassino oculto, dando a entender que apenas fingiu ter enlouquecido.... dãaaaaa.....


Sabe, essa história não acrescenta absolutamente nada. A Caçadora já foi uma personagem legal, mas infelizmente ela vive progredindo e regredindo conforme os roteiristas a utilizam ao longo dos anos. Para alguém que já foi membro da Liga da Justiça e que trabalha a tanto tempo com o Batman e seus aliados, já estava na hora dela superar esse lance de "descontrole" e "violência excessiva". Espero que algum escritor ainda aproveite o potencial dela, porque ela tem.


Na última história da edição, percebe-se um erro de continuidade logo no início (até tu, Morrison?). Na edição anterior (#96), a dupla dinâmica havia sido derrotada por Jason Todd e sua nova ajudante, Escarlate. Nesse momento, o Flamingo aparece e a história termina. Na edição seguinte (#97), Dick e Damian aparecem amarrados, enquanto Jason e Escarlate enfrentam o Flamingo. Logo... ou Jason "pediu licença" para prender Batman e Robin enquanto Escarlate servia café para o Flamingo, ou Morrison esqueceu o ponto de ligação entre as duas histórias (ou simplesmente ignorou a continuidade, por conveniência). Entendo que, do ponto de vista do roteiro, é muito mais legal deixar o vilão sinistro aparecer no final e criar um clima de suspense, mas, nesse caso, Morrison precisaria retomar a trama desse ponto e mostrar Dick e Damian caídos entre o Flamingo e Jason.


Bom, deixando esse "detalhe" de lado, Jason "Capuz Vermelho" Todd e Escarlate confrontam o Flamingo enquanto Dick e Damian percebem que foram presos e colocados diante de uma câmera de TV. Jason colocou no ar um comercial no qual promete que Batman e Robin aparecerão nus caso seja alcançada uma determinada quantidade de ligações para um número qualquer. Em outras palavras, a câmera de TV será ligada assim que a quantidade de ligações for atingida, o que deve acontecer rápido. No entanto, Damian é esperto e consegue afrouxar as cordas, o que permite que a dupla dinâmica se liberte antes que a câmera seja ligada. Batman e Robin ainda conseguem ajudar na luta com o Flamingo, mas esse último leva vários tiros nas costas e fica incapacitado. O Flamingo acaba sendo derrotado e é dado como morto, mas seu corpo não é localizado. Antes de ser preso, Jason provoca Dick, lembrando seu antecessor de que ele tem os meios para trazer Bruce Wayne de volta e somente não faz isso porque não quer. Dick quase perde o controle diante disso, mas é contido por policiais. Durante o confronto a Escarlate foge e consegue se livrar da máscara facial do Dr. Porko. De volta à batcaverna, Dick abre um cofre, no qual estão guardados os restos mortais de Bruce Wayne (supostamente).


E mais uma vez Morrison cria um nó na cabeça do leitor. Aqueles que acompanharam a Crise Final, na qual Bruce Wayne é morto e, mais recentemente, A Noite Mais Densa, sabem que os restos de Bruce Wayne haviam sido colocados num túmulo ao lado da lápide de seus pais (sendo que o vilão Mão Negra havia roubado o crânio de Bruce para trazê-lo de volta como Lanterna Negro). Como explicar então que os restos mortais do Morcego estavam na batcaverna? Essas e outras perguntas criam uma enorme e desnecessária confusão, o que tira o brilho do trabalho do escocês.


No geral, é uma edição mediana e nem mesmo a história de "Batman & Robin" conseguiu elevar o nível da revista.




Batman #98






Retomando a trama criada por Tony Daniel, Batman e Robin continuam procurando pistas sobre o esconderijo do Máscara Negra, sem muito sucesso. Nessa história temos algumas dicas importantes sobre a possível identidade do atual Máscara Negra. Tony Daniel também faz algo extremamente errado ao devolver o status de vilãozinho de segunda ao Charada. O Charada havia passado por reformulações recentemente e a única que realmente resultou em algo bom foi aquela em que ele se redimia de seus crimes e passava a trabalhar como detetive particular, muitas vezes pentelhando o Batman. Esse era um rumo diferente e muito mais promissor do que aquele em que o Charada já trilhou há muitos anos. Voltar a ser um  bandido obcecado por enigmas é um regresso que o editor das revistas americanas não deveria permitir.


Nessa edição Batman consegue uma pista importante sobre o Máscara Negra, mas o jovem que lhe forneceu a informação é baleado.


Na segunda história, temos a continuação do trabalho de Grant Morrison, com o traço razoável de Cameron Stewart (que é muito melhor do que Philip Tan, diga-se de passagem). Ainda acho incrível como a DC erra ao negar um bom artista para trabalhar com o escocês. Depois de tanto tempo com o Andy Kubert e três edições com o Quitely, o leitor ficou acostumado com a boa qualidade da arte e a editora deveria se preocupar em manter o nível. 


Bem, no enredo, Batman viaja para a Inglaterra e mais uma vez volta a trabalhar com a Escudeira e Cyril, heróis ingleses que haviam participado do Clube dos Heróis, uma associação de vigilantes do qual o Batman chegou a fazer parte no passado.


O fato é que há um poço de Lázaro na Inglaterra e Dick planeja levar o cadáver de Bruce até lá, para reviver seu mentor (seguindo o "conselho" de Jason Todd). Enquanto isso, em Gotham, Damian se submete a uma sofisticada cirurgia para reparar os danos causados pelos tiros do Flamingo. Tália aparece apenas para garantir que tudo irá transcorrer bem e parte assim que a cirurgia é encerrada. Na mina, Batman encontra a Batwoman (?), que estava perseguindo uma quadrilha de fanáticos criminosos... sim, essa explicação é furada e a participação dela é dispensável, mas acho que a DC está se esforçando para que a personagem decole, então é possível que haja a intenção de colar a Batwoman em personagens famosos para agregar um pouco de popularidade a ela.


Enfim, depois de convencer a Batwoman, Dick finalmente submerge o corpo de Bruce no poço e, na história seguinte, a Batwoman explica melhor como chegou até a mina e como foi capturada. Depois, o "Batman/Bruce" submerge do poço e passa a atacar Dick, Batwoman, Escudeira e Cyril, ao mesmo tempo. Mas nesse momento descobrimos que aquele não é o cadáver de Bruce Wayne, mas sim um clone (?) criado por Darkseid por motivos que permanecem obscuros... (sério, acho que está na hora de parar de ler gibis de heróis...).


Bem, o cadáver consegue deixar todos presos na mina e parte para Gotham, onde é recebido por Alfred e Damian (que ainda está se recuperando da cirurgia). Na mina, a Batwoman é seriamente ferida e corre risco de morte. A edição termina com o clone encarando Damian e prestes a trucidá-lo.


Numa avaliação breve, posso dizer que Batman & Robin não tem mais aquele clima leve e descontraído que marcaram as primeiras edições. Mas acho que Morrison está dando voltas demais no roteiro. Depois de tantas críticas sobre Crise Final e sobre a confusão gerada com o destino de Bruce Wayne, o escritor deveria tentar simplificar as coisas para os leitores. É claro que, quando se trata do Morrison, nada é de graça e, certamente, ele deve ter alguma razão para incluir todos esses elementos e personagens. E por enquanto, ainda não é possível saber para onde as coisas vão caminhar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Supreme Class Starscream

Saudações! Estamos voltando em 2011 em grande estilo! E quando digo "GRANDE" estou falando sério! Devido a problemas técnicos, tive de esticar as "férias" do blog por mais tempo, porém agora pretendo fazer atualizações semanais ou quinzenais, na medida do possível.

Este é o Starscream da série Cybertron (que não foi exibida no Brasil, como a maioria). Apesar de não colecionar essa linha, sempre fui muito fã do personagem e, como este modelo é a única versão na maior classe de brinquedos da Hasbro, ou seja, supreme class, não tive dúvidas de pegar um quando a oportunidade surgiu.


E é bom lembrar que, apesar de ser o líder dos Decepticons desde a série original, o próprio Megatron não tem uma versão supreme.... LOOOOOOOSEEEEER!!!    =P



 










Bem, esse Starscream é um tanto diferente de sua versão original (a personagem da G1). Na série Cybertron ele é um exímio guerreiro, extremamente cruel. Após ser reformatado adquiriu um novo modo alternativo (um jato alienígena), lâminas nos braços e os já tradicionais disparadores de raios nulos (veja o perfil completo dele aqui).

É interessante notar que, apesar de ser a maior classe de brinquedos da linha Transformers, a maioria dos Supreme Class não conta com boas articulações e a poseabilidade é um tanto limitada. No caso do Starscream, ele é praticamente idêntico à sua versão voyager class, só que obviamente maior. Como todos os Supreme, ele conta com um botão para sons e luzes, mas esses detalhes são bastante restritos em relação a modelos mais novos, como o Ultimate Bumblebee e o ROTF Devastator.

All hail Starscream!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Review: Batman # 96



A nova dupla dinâmica está incomodando o crime organizado. E os mafiosos resolvem trazer para Gotham um assassino conhecido por sua eficiência e crueldade: o Flamingo. 

Por outro lado, Jason Todd e sua nova ajudante, Sasha (uma das vítimas do vilão Porko), decidem adotar uma nova filosofia, segundo a qual a punição deve equivaler ao crime. Jason e Sasha passam a confrontar criminosos com os nomes de Capuz Vermelho e Escarlate. Não por acaso, muitas vezes são confundidos com Batman e Robin, mas seu estilo mais violento e o rastro de cadáveres indica a diferença de seus métodos. Ao mesmo tempo, Jason começa uma campanha em Gotham para "legitimar" suas ações e, aos poucos, vai conseguindo convencer a população de que fazer justiça com as próprias mãos é aceitável para diminuir a criminalidade na cidade.

Inevitavelmente Batman e Robin acabam confrontando Capuz Vermelho e Escarlate. Mas, devido à impetuosidade de Damian, Todd e Sasha conseguem fugir. Num segundo confronto, estes últimos levam a melhor, mas são interrompidos pela chegada do Flamingo.

Grant Morrison continua construindo seu tabuleiro de xadrez e acrescentando novos peões. O Flamingo é uma personagem bastante diferente do estereótipo de vilão. Resta saber se ele será bem utilizado e o que ele fará diante do confronto de Batman e Robin contra o Capuz e Escarlate. O clima de suspense dessa parte final deixa o leitor com um ponto de interrogação na cabeça e, ao mesmo tempo, com a vontade de ler logo a edição seguinte.

A bola fora das duas primeiras histórias é o desenhista Philip Tan. Sempre achei que um bom roteiro merece uma bela arte. Mas o fato é que o traço de Tan não tem a qualidade necessária  para um título como o Batman. É uma pena que, apesar de ter tantos artistas melhores à disposição (como Ivan Reis e os irmãos Kubert), a DC insista em colocar talentos menores nas revistas de suas principais personagens.    



Na terceira e última história, escrita por Chris Youst e ilustrada por Dustin Nguyen, conhecemos o Padre Mark, um religioso que chega à Gotham com grandes esperanças. Mas, aos poucos, o jovem padre é contaminado pela corrupção da cidade, o que compromete sua fé. Há também um confronto mal-explicado entre a Caçadora e o Morcego Humano pelos telhados de Gotham e os dois acabam caindo justamente sobre a igreja do Padre Mark, o qual, aparentemente, apresenta algum distúrbio mental que o impele a matar seus "visitantes". A conclusão da trama fica para o próximo número. Eu gostaria de falar mais, mas a história se resume a isso mesmo.  =P

E aqui encerro os posts de 2010. Agradeço aos amigos e demais leitores pela audiência e espero que em 2011 continuem acompanhando o blog. E sim, eu sei que preciso terminar e fazer um post sobre o batmóvel (como alguns outros trabalhos), mas tenham paciência, se tudo der certo esse post deve sair em janeiro.



Feliz Natal!

E um ótimo 2011 a todos!


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Só assim pra ler Machado...



Eu vou confessar uma coisa pra vocês: sempre achei as obras de Machado de Assis muito chatas. Lembro que, quando estava lendo "Dom Casmurro" eu sentia vontade de jogar o livro no lixo e somente não fiz isso porque precisava terminar a leitura para um trabalho de escola.

Na verdade, autores como Machado, José de Alencar, Mário de Andrade e Graciliano Ramos viveram em um período histórico muito diferente do atual. Na época deles até podia estar na moda esse estilo excessivamente descritivo, lento, com personagens angustiados e tudo mais (chamado de "realismo"). Até o início do século XX uma carta poderia levar meses para ser entregue ao destinatário.

Por isso acho que o meu problema com "os grandes nomes da literatura nacional" é que o que  eles escreveram não me diz respeito. Faço parte da geração que cresceu com influência predominante da TV, videogames e campanhas de marketing safadas para vender brinquedos, ou seja, um mundo muito mais dinâmico (e sob muitos aspectos mais interessante e com mais atrativos) do que aquele em que Machado vivia.

Não admira que o interesse pela leitura não seja característica do brasileiro. Sempre defendi a ideia de que os jovens deveriam ser estimulados a ler com obras "mais leves", como clássicos da literatura universal, principalmente aqueles escritos por Julio Verne, Charles Dickens, Jack London, entre outros, ou mesmo livros próprios para novos leitores, como a saudosa coleção Vaga-Lume, da editora Ática. Esses livros têm a vantagem de serem feitos para o público infanto-juvenil e acabam despertando o interesse pela leitura e desenvolvendo a capacidade imaginativa e de abstração.

Aliás, desculpem, mas Machado de Assis é superestimado. Sua obra não chega aos pés dos livros do já citado Charles Dickens (quem leu a coletânea "Retratos Ingleses" entende o que estou dizendo) ou mesmo de Shakespeare, um autor que, em sua época, fazia peças populares e que, hoje, é considerado erudito, diante da mediocridade moderna.

E por favor, entendam bem: não sou crítico literário nem tenho a pretensão de julgar os dogmas que certos círculos de "especialistas" estabeleceram. Estou dizendo apenas  que não sinto outra coisa senão tédio quando leio livros de alguns autores nacionais "renomados". E a maioria dos jovens também pensa assim, embora não tenha coragem de admitir. 

Eu me lembro que, durante um curto período em que trabalhei numa editora atendendo professores, cheguei a comentar com alguns deles que os "clássicos nacionais" não seriam os livros mais indicados para crianças de sexta a oitava série, mas os "mestres" se mostravam irredutíveis com a ideia fixa de enfiar os livros goela abaixo de seus alunos.

Por isso li com muita satisfação um artigo recente da revista Superinteressante do mês de novembro p.p., no qual se conclui que a "escola mais atrapalha do que ajuda" na formação do hábito da leitura e, mais, que uma das alternativas para se estimular novos leitores seria a indicação de livros mais próximos da realidade deles. Até que enfim alguém percebeu o óbvio!

E nesse ponto eu retorno à obra em questão. Como eu disse antes, depois de ler "Dom Casmurro" eu fiquei profundamente traumatizado com qualquer coisa que se referisse a Machado de Assis. Mas recentemente a Editora Lua de Papel lançou uma coleção chamada "Clássicos Fantásticos", com a proposta de apresentar aos leitores novas versões de obras famosas, no melhor estilo trash e com características mais atuais.


Dentre os livros dessa coleção, há "A Escrava Isaura e o Vampiro" (de Bernardo Guimarães e Jovane Nunes); "Senhora, a Bruxa" (de José de Alencar e Angélica Lopes); "Dom Casmurro e os Discos Voadores" (de Machado de Assis e Lúcio Manfredi) e, finalmente, "O alienista caçador de mutantes" (de Machado de Assis e Natália Klein).


Escolhi este último para folhear e acabei comprando. A trama se inicia quando um objeto voador não identificado acaba fazendo um pouso forçado na pacata cidade de Itaguaí. Logo após surgem relatos de um vírus alienígena que provoca mutações nos habitantes locais. E em meio a todo o alvoroço causado, surge um pretenso "especialista", chamado Simão Bacamarte, que se diz médico geneticista e que se dedica ao estudo das mutações, razão pela qual passa a ser conhecido como "o alienista", uma mescla de alien e especialista


E a primeira observação é que Natália Klein desenvolveu personagens bastante interessantes. O leitor não consegue deixar de rir com os trejeitos afetados de Bacamarte, ou suas investidas nada discretas ao farmacêutico de Itaguaí (por quem o alienista mantém uma inexplicável atração). Há diversos elementos atuais, como alusões ao Google, Michael Jackson e diversos super-heróis e personagens do cinema e da TV (sim, porque a autora dessa paródia também pertence à minha geração e por isso possui as mesmas influências). Há, evidentemente, um problema cronológico nisso, mas essas alusões foram feitas intencionalmente, talvez como uma forma de diminuir a enorme distância entre o mundo do leitor atual e aquele existente no século XIX. Esse é um recurso muito utilizado no teatro e na teledramaturgia e funciona bem quando se trata de humor.


Há uma pisada de bola no texto, pois a autora confunde o termo "imigrante" (pessoa que se desloca de um país a outro) com "migrante" (pessoa que se desloca de uma região ou estado para outro(a), mas dentro do próprio país). No livro percebe-se que foi utilizado o termo "imigrantes" para designar "migrantes" (como na página 51). Este é um lapso até perdoável para a escritora, dadas as múltiplas atividades as quais ela se dedica, bem como prazos, e etc. Mas o mesmo não se pode dizer da revisora, no caso, a sra. Marília Chaves. Pena que  esta última não estava prestando atenção ao texto que estava revisando.... ela perdeu uma leitura muito legal. Esse pequeno deslize quanto a conhecimentos geográficos básicos tira um pouco o brilho da obra, mas não chega a estragar o barato do livro.  


Eu não vou dizer que essa nova versão seja melhor que a obra original, mas que é mais divertida... ah, isso é! 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Red - aposentados e perigosos



Bruce Willis é conhecido por ser um ator de filmes de ação. Quando você lê o nome dele nos créditos, já pode imaginar do que se trata. Mas nem sempre foi assim, já que o ator ganhou fama num seriado de comédia (A Gata e o Rato) e também já fez papéis dramáticos com desenvoltura (como em O Sexto Sentido).

Mas o importante é que aqui Willis volta ao gênero que marcou sua carreira desde Duro de Matar: ação com pitadas de comédia.

Na trama, Willis interpreta o ex-agente da CIA Frank Moses, que se aposentou há anos. Ele leva uma vida insuportavelmente entediante e solitária. Mas Moses não é como a maioria dos aposentados americanos que praticamente vivem na frente da televisão. Nos momentos mais solitários, ele costuma telefonar para uma atendente do serviço do seguro social, chamada Sarah (Mary-Louise Parker). Sarah é uma sonhadora que está bastante descontente com os rumos que sua vida pessoal, profissional e amorosa vem tomando e que adora romances de espionagem. Duas pessoas que vivem em mundos completamente diferentes mas igualmente sozinhas. Já sabemos onde isso vai dar, não é mesmo?

Bem, certa noite Moses sofre uma tentativa de assassinato e descobre que o grupo de assassinos que o atacou pertence à CIA (sua ex-empregadora). Assim, Moses passa a travar uma guerra particular com a agência, na tentativa de descobrir as razões para que a CIA o queira morto, levando Sarah a tira-colo (ele sabia que a moça corria perigo e decidiu levá-la consigo, o que a faz correr perigo também, mas é Hollywood, então deixa pra lá). E como não poderia enfrentar esse enorme problema sozinho, Moses passa a recrutar outros ex-agentes: Joe (Morgan Freeman), Marvin (John Malkovich) e Victoria (Hellen Mirren).

Devo dizer que a participação de John Malkovich engrandece muito o filme. Ele interpreta um veterano que foi cobaia de experimentos militares por anos e hoje carrega as consequências disso. É extremamente paranóico (como muitos americanos) e tem um temperamento bastante instável. Acho que um dos méritos do filme é esse: ele brinca com a paranóia coletiva, primeiro ridicularizando, depois demonstrando que, em muitos casos, o governo realmente faz aquilo que os paranóicos imaginam. Outro grande destaque do elenco é Ernest Bornigne (o eterno Dominic do seriado Águia de Fogo e uma lenda do cinema). Mesmo com mais de noventa anos, sua participação é breve, mas marcante.

O nome do filme é extraído de uma sigla criada para qualificar "aposentados extremamente perigosos" (Retired Extremely  Dangerous), uma definição que cai como uma luva sobre o grupo de Moses. Na verdade, a película é uma adaptação da HQ de mesmo título de Warren Ellis (que eu vergonhosamente ainda não li, então não posso fazer comparações).

Algumas cenas de ação são absurdas, como a maioria dos filmes de Willis, mas, pelo menos aqui, elas servem para rir. Uma boa dose da violência de "Red" é canalizada para o humor. O filme aborda a velha questão sobre o trabalhador que não consegue se adaptar à aposentadoria, o que, no caso, signifca agentes que não conseguem deixar de matar pessoas. As excentricidades e esquisitices dos protagonistas provocam muitas risadas. 

É um filme divertido e que não deve ser levado a sério, mesmo porque seu objetivo não é esse. Se você é fã do Willis, certamente vai gostar. 


sábado, 27 de novembro de 2010

Ironhide Classics Custom





Esse carinha me deu mais trabalho do que eu havia previsto. Apesar de ter um ótimo molde para customização (ou seja, muitos parafusos e poucos pinos), tive bastante dor de cabeça para lixar peças bastante justas entre si. Foram meses inteiros de trabalho, mas o resultado acabou compensando.  =D

Desde que comprei esse item, gostei muito do molde do modo robô (mas nem tanto do modo alternativo) e, ao mesmo tempo, detestei o esquema de cores dele. Na verdade o que eu odeio é o fato de que a Hasbro costuma usar um plástico cinza muito feio e sem pintura alguma para simular detalhes de metal. O tom de vermelho do Ironhide também não ficou bom. E o que dizer desse rosto azul??



Bom, a linha Classics não prima muito pela fidelidade às personagens da G1, tanto que o Bumblebee passou a ser um sedan e o Ironhide se tornou uma S.U.V. (Sport Utility Vehicle). E um veículo mais moderno demanda um esquema de cores mais arrojado. Por isso substituí o vermelho original por outro metalizado. Também acrescentei detalhes metálicos nos pára-choques, pintei as janelas de preto e os faróis, o que o deixou com um visual mais elegante.

A experiência prática me ensinou que, para evitar danos na hora da montagem, é aconselhável passar vaselina líquida nas partes que se encaixam. Mas infelizmente tive a péssima ideia de tentar limpar os excessos com uma flanela antes de tirar as fotos e isso fez com que o item ficasse cheio de fiapos de tecido.  =/


Enfim, eis o resultado de meses:
































Devo admitir que fico orgulhoso por conseguir enxergar meu reflexo no pára-brisa dele.  =D

Deixei as peças meio desencaixadas de propósito no modo alternativo, porque as tintas ainda estão frescas e pretendo evitar muitos danos à pintura, pois cada conversão de um modo para outro gera atritos entre as peças que, infelizmente, descascam a pintura. Por isso itens customizados não devem ser convertidos com frequência.

Tintas poliéster utilizadas: vermelho barroco metalizado, vermelho dakar perolizado, preto "liszt", amarelo cais III metalizado e prata diamante net. 


E para aqueles que me perguntaram sobre o batmóvel, como eu disse antes, ele está quase pronto... tenham um pouco mais de paciência. See ya!  =D


ATUALIZAÇÃO: Meu amigo Leandro Rodrigues é artista plástico e me passou seus e-mails de contato (leandroopcao@yahoo.com.br e leankoller@hotmail.com). Ele me pediu para avisar que pode providenciar máscaras para customs diversos e adesivos para Transformers ou outros colecionáveis, além de esculpir peças e acessórios. Portanto, eventuais interessados podem falar diretamente com ele. =D