segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Participação especial: Corpo sem Alma - Como será o "novo" Dream Theater???







Corpo sem Alma – Como será o “novo” Dream Theater???!!

Amigos, desde já lhes digo algo que até agora não assimilei!!! Como será  possível um corpo sem alma???


Vamos aos fatos. No começo deste corrente mês de setembro de 2010, uma notícia me deixou muito triste: a saída do grande Mike Portnoy do Dream Theater... e o que mais me impressionou é que a banda irá continuar!!! Será possível!!!???


Antes de mais nada, precisa ser dito que a banda existe desde a década de 80 e vem crescendo a cada álbum lançado, mas alguns pontos precisam ser ressaltados. O primeiro registro dessa grande banda americana foi When Dream and Day Unite, mas somente no segundo álbum, Images and Words, eles se consolidaram no prog-metal e, nessa época, foi integrado ao grupo o vocalista James LaBrie, ocupando a vaga de Charles Dominici.


Desde seu início, a banda lança ótimos discos, sempre em um intervalo de dois anos. Carece ser dito que eles foram (e são) influenciados por vários estilos musicais, mas principalmente pelo Heavy Metal, por bandas como o Iron Maiden e Metallica, e bandas de rock progressivo, tais qual Rush, Pink Floyd, e ainda Queen, Frank Zappa, etc...


Outro momento marcante do Dream Theater foi com o álbum Metropolis part 2 – Scenes from a Memory. Com esse disco a formação da banda havia se consolidado até os dias de hoje e atingindo totalmente sua maturidade musical, que a mantém até então. Porém, apesar de todos os registros desta banda serem diferentes entre si, ela possui uma identidade muito forte,  técnica musical inspiradíssima de cada um de seus membros, além de fãs muito fiéis.


Seria chover no molhado dizer que o Dream Theater é a banda de Heavy Metal ( prog-metal) mais técnica e com os melhores instrumentistas do mundo, o que dizer de Mike Portnoy, John Petrucci, John Myung, James LaBrie e Jordan Rudess tecnicamente?? Eles são músicos perfeitos e sabem tudo sobre seus instrumentos.


O que acontece é o seguinte: imaginem os monstros sagrados do Heavy Metal, Iron Maiden e Metallica, sem Steve Harris, James Hetfield e Lars Ulrich, respectivamente. Aqui o caso é o mesmo, pois, além de Mike Portnoy ser o melhor baterista da atualidade, ele é a alma, o coração e o cérebro do Dream Theater pois, além de tocar, ele cuida de TODOS os aspectos da banda, quais sejam: composições, arranjos, letras, produção, masterização, e, ainda, montagem do palco, luzes e pirotecnia, sem mencionar que o Portnoy era responsável pelos setlists dos shows da banda.


Como fã, espero que eles se acertem e tenham o  bom senso de reintegrar Mike Portnoy ao conjunto; é sabido que existem centenas de ótimos bateristas tecnicamente que podem substituí-lo, porém, como falei no parágrafo acima, acho impossível alguém que possa fazer tudo que Portnoy sempre fez à banda.


É isso pessoal,

Abraços,

Júlio Reuter.

Para maiores informações sobre a banda vejam o site oficial clicando aqui.

Participação Especial

Quando planejei criar esse blog pensei em torná-lo eclético, para abordar temas variados como colecionáveis, filmes, games, quadrinhos, música e livros. A intenção era falar sobre temas variados de interesse nerd, mas confesso que estava (e estou) bastante defasado em relação a filmes e música.

Por isso fiquei muito feliz quando meu amigo Júlio se ofereceu para postar artigos sobre esses dois assuntos específicos. Como músico, ele pode analisar com muita propriedade as novidades da cena rock mundial. Além disso o Júlio é detentor de um conhecimento incrível sobre filmes "B" e sabe como ninguém indicar o que há de melhor (e de pior) nesse gênero tão ... peculiar. 

A coluna "Participação Especial", como o próprio nome diz, é um espaço para colaboradores publicarem seus artigos e trabalhos, de acordo com a proposta do blog. Até que todos sejam um!!      

domingo, 19 de setembro de 2010

Crossfire X -Fire 02A / 02B (Bruticus) by Fansproject


Toda criança gostaria de alterar algo em seus brinquedos, assim como todo colecionador gostaria de alterar um ou outro detalhe de seus itens. No caso dos Transformers, isso é mais comum. Por ser uma marca voltada para venda em grande escala, o cuidado com os detalhes fica em segundo plano. Salvo raras exceções, como as linhas Masterpiece, Alternators/Binaltech e a nova Alternity, voltadas para colecionadores, todos os demais produtos dos "robôs disfarçados" são lançados em larga escala, para crianças a partir de cinco anos.

Portanto, o colecionador de Transformers conhece bem o conceito de frustração. Muitos fãs, como eu, estão na faixa dos trinta anos e ainda aguardam, com certa esperança, o lançamento de alguma versão decente de certos personagens favoritos da G1 (Jazz, Whelljack, Devastator, etc). O problema é que a Takara e a Hasbro costumam presentear seus fãs com versões mal-acabadas de action-figures que, em alguns casos, costumam provocar revolta (vide a linha Power Core Combiners, por exemplo).

Mas e se um grupo de fãs insatisfeitos com a baixa qualidade de seus itens tivesse a ideia de melhorá-los e, mais importante do que isso, tivesse também os meios para tanto? Com essa premissa, o pessoal do Fansproject vem fazendo muito sucesso e surpreendendo os fãs com a qualidade de seus produtos. O primeiro kit dos caras (HKTFP-001) foi feito há alguns anos e apresentava acessórios, além de uma nova cabeça para "turbinar" o Cliffjumper classics. Para ser honesto esse primeiro kit não é lá grande coisa mas, por se tratar de um trabalho de estréia, isso pode ser relevado e, considerando os trabalhos seguintes, esse kit ganhou certo valor histórico e hoje é vendido por aí por mais de trezentos dólares.

Como os produtos do Fansproject (FP) não são oficiais, ou seja, não são lançados pelas empresas detentoras dos direitos da marca Transformers (no caso Takara Tommy e Hasbro), os fãs costumam chamá-los de "produtos de garagem". Existem outras empresas que já vinham lançando acessórios para Transformers há mais tempo; porém nenhuma delas conseguiu tanto sucesso e fama entre os colecionadores, em tão pouco tempo. E não é para menos. O salto de qualidade entre o primeiro kit e o City Commander é gigantesco. Os kits que se seguiram serviram para estabelecer um padrão de qualidade e engenharia que dificilmente será superado... pelo menos por enquanto.  

O que chama a atenção no caso da maioria dos kits feitos pelo FP é que, assim como os Transformers, as peças também podem ser transformadas em objetos distintos. Quando começaram os primeiros rumores sobre uma armadura que também serviria como trailler para o Ultra Magnus classics , confesso que não fiquei muito entusiasmado, até porque achava que um robô usar armadura era algo meio idiota. Mas depois que vi o resultado final do City Commander, tive de reconhecer que aquele kit é um tremendo trabalho de engenharia e sem dúvida é a versão definitiva do Ultra Magnus da linha classics

O mérito do FP está no fato dos caras conseguirem criar peças que não só corrigem certos defeitos, mas que também se assemelham mais fielmente às personagens ... e isso em toys que, originalmente, não foram projetados para receberem acessórios e complementos.

No futuro pretendo falar mais sobre os itens do FP, mas, por hoje, basta essa (longa) introdução. O assunto do dia é o novo kit lançado como upgrade do Bruticus Maximus, relançado recentemente pela linha universe. Para quem não conhece (e o que você faz aqui, lendo esse artigo??), Bruticus é um combiner, também chamado de gestalt, ou seja, é um robô formado pela junção de outros cinco robôs. Na G1 haviam muitos gestalts, como o Devastator (o mais famoso, sem dúvida), Superion, Defensor, Predaking, entre outros.

Os robôs que compõem Bruticus são Onslaught, Blast-Off, Swindle, Vortex e Brawl. Os cinco formam um sub-grupo de Decepticons denominado Combaticons. O toy lançado originalmente pertence à linha Energon e, como todos os demais combiners "oficiais", apresenta diversos problemas, como pouca mobilidade/poseabilidade e grandes diferenças com a personagem que o inspirou, sem mencionar que ele é feio, muito feio.



Então, o pessoal do FP tinha um grande desafio pela frente. Mas eles conseguiram se sair muito bem. Para "consertar" os problemas do toy original, foram feitos dois novos robôs (Explorer e Munitioner) para substituir aqueles que não apresentam nenhuma semelhança com as personagens Blast-Off e Swindle. Os robôs são vendidos separadamente, sendo que cada um acompanha um conjunto de peças que servirão para montar o Bruticus completo.


 Como nos demais produtos do FP, há um encarte que, infelizmente, não reproduz uma história em quadrinhos, mas apresenta um texto explicativo. Para evitar problemas legais, existe todo um cuidado para não utilizar imagens e nomes protegidos por marcas registradas. Assim, o FP criou um universo paralelo, chamado Parallax, pelo qual os robôs são batizados de acordo com suas funções ou características. No caso do Bruticus, seu nome foi convertido para Colossus, ou simplesmente C3. No texto, é explicado o motivo da substituição dos robôs que originalmente formam o gestalt: a primeira tentativa de construir um combiner foi mal-sucedida, provocou grande destruição e dois robôs da unidade acabaram mortos. Por se tratar de um grupo de fãs insatisfeitos, é provável que esse texto também sirva para alfinetar a Takara e a Hasbro, já que a versão original do Bruticus foi considerada "mal-sucedida". E o que acho mais legal é que a crítica fica subentendida em um duplo sentido do texto, o que permite que o FP a negue, caso seja necessário. Também é possível que o FP tenha criado o texto com o único propósito de enriquecer seu universo Parallax, mas eu ainda prefiro pensar que eles realmente quiseram fazer uma provocação.  =P  

Sem mais delongas, vamos às fotos:






No encarte, o FP ainda faz uma revelação importante: está sendo planejado um terceiro combiner (Crossfire 03) e isso deixa os fãs curiosos para saber qual será o próximo gestalt a receber seu kit de upgrade. Particularmente, eu gostaria que os caras fizessem o próprio combiner e não peças e acessórios para remendar os produtos oficiais. O FP já provou que tem capacidade para isso. Agora resta esperar.



domingo, 5 de setembro de 2010

Batmóvel Super Powers Custom - Parte 1



Quando eu era garoto, sempre quis ter esse Batmóvel da coleção Super Powers. Mas nunca o tive. Sempre gostei muitíssimo do design dele e o considerava melhor do que qualquer outro modelo já criado até então.  

A imagem acima corresponde à caixa do brinquedo e o maior destaque nela é o fato de que Batman e Robin estão literalmente atropelando o Coringa. E isso, sem dúvida, não é um bom exemplo para as crianças.  

Ah, os anos 80.... tão politicamente incorretos!

Enfim, voltando ao item em questão, tenho que reconhecer que sua qualidade é impressionante, até mesmo para os padrões de hoje. Aliás, tenho saudade da época em que os brinquedos vinham com a marca da "Indústria Brasileira". O material plástico do veículo é muito bom. O batmóvel tem alguns recursos interessantes, como a frente do carro que se projeta como um aríete, ou os faróis que se levantam da mesma forma que em alguns automóveis reais e uma espécie de garra que se desprende da traseira para agarrar adversários.

Nada de Mattel ou Hasbro. Esse modelo, assim como todos os demais veículos e personagens da linha Super Powers foram lançados pela antiga empresa Kenner. Aparentemente, essa empresa faliu e isso impediu que mais brinquedos do universo da DC fossem feitos, o que é uma pena. No Brasil, como a importação desses itens era expressamente proibida, os brinquedos tinham de ser feitos pela indústria nacional (no caso, a Estrela S.A.), a partir dos moldes cedidos pela empresa americana. É possível ver todos os itens dessa coleção clicando aqui.

Pois bem, como eu disse antes, passei alguns anos da minha infância desejando ter esse Batmóvel mas isso não foi possível. Depois de um tempo cheguei a me conformar com a idéia de que nunca teria um.

Até alguns dias atrás.  

Na última vez que fui à casa da minha namorada ela me disse que havia se apossado de alguns brinquedos antigos do irmão dela. E eu fiquei realmente surpreso quando vi que, entre eles, havia um Batmóvel da Kenner. Ele estava todo empoeirado, sujo, riscado e desgastado, mas mesmo assim ainda funcionava perfeitamente e, de certa forma, ainda guardava seu antigo charme.

De imediato eu me ofereci para restaurá-lo, mas essa intenção durou pouco mais do que um segundo. Pensando bem, cheguei à conclusão de que seria fantástico não só restaurar aquele batmóvel, mas também customizá-lo para realçar todas as suas qualidades.

E após conseguir a permissão da minha namorada para limpá-lo e desmontá-lo, levei-o para casa, onde comecei a elaborar o plano para fazer um upgrade nesse modelo. Minha namorada havia pedido que eu fizesse a restauração de modo que ele ficasse o mais parecido possível como o original, mas consegui convencê-la de que ele ficaria mais legal com cores metalizadas. Assim, combinamos que o esquema de cores original (azul, preto, branco, amarelo, etc.) seria respeitado, mas com tintas automotivas metalizadas.

Como é possível ver nas fotos abaixo, o estado do toy não era dos melhores. Mas não reclamo disso, afinal, esse brinquedo serviu à sua finalidade: ele foi usado por uma criança e sem dúvida foi motivo de muita alegria na época.

A tarefa é um pouco mais complicada do que parece, porque todas as peças internas do Batmóvel estão encaixadas umas nas outras de alguma forma e, no momento em que retirei a parte superior dessas peças, todas saíram ao mesmo tempo, de modo que não pude visualizar a posição delas. Bem, isso é um problema que eu irei deixar para a fase de montagem. 

O segundo passo após a retirada das peças foi lavá-las com água e sabão. Para isso, eu utilizei uma escova de dentes com cerdas muito macias, a fim de não arranhar ainda mais os detalhes do carro e o plástico.

Alguns dias depois, quando todas as peças já estavam secas, comecei a lixá-las para disfarçar os arranhões na carroceria do Batmóvel.
























Posteriormente, eu apliquei máscaras na parte de baixo da carroceria para pintar os pneus (que estavam bem gastos, porque provavelmente foram colocados muitas vezes sobre um piso bastante áspero). Antes de tudo, pulverizei sobre as peças uma seladora para plásticos e, depois, usei um fundo branco para a carroceria e uma tinta preta para os pneus.

O fundo branco tem dois objetivos: ele permite visualizar melhor todas as imperfeições do objeto (que podem ser corrigidas com a lixa e uma camada de tinta) e, também, que a cor metalizada não tenha variação de tonalidade ou brilho. Algumas cores, como o azul, verde, amarelo ou vermelho não podem ser aplicadas diretamente sobre uma superfície ou objeto colorido, porque, nesse caso, ocorre uma alteração na tonalidade da tinta. Dessa forma, para que a cor da tinta fique da forma como ela foi vista no catálogo do vendedor, torna-se necessário aplicar antes um fundo com uma tinta mais clara, como cinza ou branco. 

Após pintar de branco, comecei a pintar a parte azul.


Mas o trabalho ainda não terminou. A seguir cenas do próximo capítulo....


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Review: Batman # 93

Quando fiz alguns comentários sobre a edição anterior, não pretendia fazer um review das seguintes. Mas após ler a continuação de Batman & Robin, achei a história tão incrível que acabei mudando de ideia.


Considero essa a melhor revista mensal da Panini do mês de agosto. E por quê? Bem, Morrison consegue construir personalidades marcantes para os personagens. Nessa edição conseguimos entender melhor a forma de pensar e as motivações das personagens envolvidas, o que enriquece a trama, principalmente pelos fatores psicológicos envolvidos e pelas sutis referências ao passado dessas personagens (coisa que todo leitor de HQ´s aprecia).


Quanto à história, aqui temos o desdobramento dos fatos apresentados antes e conhecemos melhor o vilão Porko. Ele possui um circo de aberrações e é completamente insano, o que é requisito essencial para um vilão do Batman.   =P


Porko costuma desfigurar suas vítimas e auxiliares, implantando neles máscaras disformes e destruindo suas personalidades com uma droga muito peculiar e que se assemelha a um vírus. Grant Morrison teve uma boa sacada ao utilizar a temática circense na primeira história de seu novo Batman. Dick Grayson era filho de trapezistas e toda sua infância foi passada em um circo. Assim, é fácil para Grayson identificar gírias circenses e descobrir pistas fundamentais para o caso.  



No review anterior eu havia dito que Frank Quitely não tem um traço muito apropriado para o Batman, mas, depois de ver a cena ao lado eu quase mudei de opinião. Esse é o quadro que inicia a história e percebemos claramente a frustração de Dick. Nele percebemos que ele se sente mal, por ser impelido a fazer algo que não quer (se tornar Batman) e perceber que pode não estar à altura da tarefa. Todos nós já passamos por uma situação semelhante. E a forma como essa cena foi retratada é brilhante, porque expressa tudo aquilo que a personagem sente. 
Também podemos observar que Alfred continua fazendo o papel de pai e de conselheiro, tal como na época de Bruce Wayne (aliás, esse desenho também mostra o lado paternal de Alfred e isso também confere à imagem uma grande beleza).  Mas Dick e Bruce são pessoas diferentes e Alfred sabe disso muito bem. Por isso, nada de diálogos irônicos ou discussões filosóficas (tão comuns no trato com o Batman original). O mordomo busca consolar e animar Dick evocando a família Grayson, os valores recebidos dela e, principalmente, as lembranças do circo onde Dick viveu. A máxima de que "o show deve continuar" atua como uma injeção de ânimo e faz o novo Batman recobrar seu entusiasmo. 

Grayson percebe, com certa melancolia, que apesar de usar o capuz de seu mentor, não é igual a Bruce e provavelmente nunca será. Portanto, Dick deve agir de forma diferente, ser ele mesmo e procurar seguir um caminho próprio. Nesse breve diálogo com o mordomo Morrison conseguiu aprofundar mais a personalidade de Dick do que muitos roteiristas, em vários anos de revista solo do Asa Noturna. Assim, temos algumas diferenças no modus operandi do Morcego, o que não deixa de passar despercebido aos policiais de Gotham e, principalmente, ao comissário Gordon.

E como era de se esperar, o relacionamento entre Dick e Damian continua tenso. O rapaz é impulsivo e descontrolado, enquanto Grayson é calmo e descontraído. Os dois não poderiam ser mais diferentes, mas por obra do destino tem de trabalhar juntos. Nessa edição testemunhamos uma discussão entre eles e, nela, entendemos melhor o pequeno Damian. Imaginem como deve ser difícil para uma criança ver alguém vestido como seu recém-falecido pai e, ainda, ter de conviver com esse alguém. Esse detalhe, tão bem explorado pelo Morrison, me fez ver o moleque de forma diferente. Percebemos, com isso, que Damian esconde sua tristeza e insegurança por trás de uma máscara de arrogância, o que é bastante comum em um pré-adolescente. 

Esses pequenos mas importantíssimos detalhes tornam essa uma das melhores histórias do Batman dos últimos anos. Além disso, os personagens coadjuvantes concebidos pela mente insana do escocês engrandecem a trama e também merecem uma menção honrosa. Palmas para Morrison e Quitely.


A outra história do título tem roteiro de Paul Dini, famoso pelas adaptações dos heróis da DC em animações e longa-metragens, durante a década de 1990. Trata-se da continuação do arco que se iniciou na edição anterior e a sequência se revelou mais interessante do que a primeira parte. Dini procura delinear melhor o novo status de Gotham, agora sob o comando do Máscara Negra. E também apresenta um novo capítulo na vida de Tommy Elliot, o mala criado por Jeph Loeb em Silêncio.

Sempre achei o Silêncio um vilão meia-boca. Por mais que os roteiristas tentassem retratá-lo como alguém perigoso, ele nunca conseguiu cativar os leitores. E não é para menos: o vilão não tem o menor carisma. Mas Dini usa a personagem de forma inteligente e provoca uma certa aflição quando o plano de Elliot fica claro: sabotar a nova dupla dinâmica dilapidando a fortuna Wayne. Ora, Ra´s Al Ghul deduziu que Bruce Wayne era o Batman pelo simples motivo do milionário ser o único em Gotham com recursos financeiros capazes de sustentar o vigiliante. Sem a grana, nada de equipamentos, armas, veículos e todos os acessórios necessários para o Morcego realizar seu trabalho. Ponto para Paul Dini. 

Mais uma vez, terminei de ler a revista com a sensação de que ela valeu o preço de capa. Nota 10!!




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Bienal do Livro 2010





Costumo frequentar a Bienal do Livro há muito tempo. E esse ano somente pude visitar a feira na última sexta feira (20/08). Mas ao contrário das outras vezes, não conferi a programação e praticamente "cai de pára-quédas" no evento.

O grande diferencial desta Bienal foi a presença maciça de e-books, dos mais variados tipos e marcas. A tecnologia realmente vem tomando espaço e o número de visitantes nos estandes desses equipamentos era muito grande.

Como sempre, marquei presença no estande da loja Comix, que estava oferecendo 20% de desconto sobre o preço de capa de algumas HQ´s. Então não resisti e comprei um encadernado que venho desejando há muitos anos: Demolidor: O Homem Sem Medo. Trata-se de uma edição especial que reúne os números 1 a 5 da mini-série do mesmo título, publicada pela primeira vez em 1994 (nos E.U.A.) e republicada diversas vezes, inclusive aqui no Brasil, pela Editora Abril. 




Mas nem tudo são flores. Percebi que essa nova edição da Panini tem alguns problemas na adaptação/tradução, que ficou a cargo de Jotapê Martins e Fernando Lopes. Por exemplo: o nome da personagem no original é Daredevil, uma palavra que não possui tradução exata para o português, mas que significa audacioso, ousado, aventureiro. Na página 150, há um jogo de palavras com o termo demônio (devil, em inglês) quando Larks diz (na versão original): "Who the hell are you?!?", ou "Quem diabos é você?!?", Matt responde: "Call me Daredevil", ou "Me chame de Daredevil". Esse é um momento de clímax na história, porque é nele em que  Matt escolhe seu "nome de guerra". O jogo de palavras  torna o diálogo muito interessante.  


É claro que, pela adaptação do nome do herói no Brasil não seria possível manter o sentido original do diálogo, mas os tradutores poderiam muito bem ter preservado a pergunta de Larks na sua forma original e fugir do clichê "Quem é você?", como consta no encadernado... Hoje as pessoas dominam melhor o inglês e, sobretudo, tem maior contato com o material americano por causa da internet, de modo que essas falhas na adaptação não passam despercebidas. Os fãs do demônio com certeza conhecem seu nome original e obviamente iriam gostar muito desse trecho da mini, caso o sentido das frases não fosse perdido. Agora entendo porque muita gente critica o trabalho do Jotapê... essas escolhas erradas não são próprias de alguém que acompanha os quadrinhos há tantos anos.

Mas enfim, de volta ao assunto, aproveitei a oportunidade para completar minha coleção de mini-pockets de Shakespeare da editora LPM. Aliás, essa editora tem o mérito de conseguir lançar, com sucesso, uma série de clássicos da literatura universal num formato bastante acessível e que hoje alcança a impressionante marca de 900 títulos já publicados.

E quando eu achava que já não haveria mais nenhuma novidade, passei pelo estande da Panini e lá pude observar uma pequena fila no corredor, na parte lateral. De longe, pude notar que havia uma mesa com três pessoas desenhando, mas não pude identificá-las por causa dos visitantes que estavam à minha frente. Aos poucos eu consegui me aproximar e reparei em alguém que eu achava já ter visto na net. Passei a observar então os desenhos que os caras estavam fazendo e, pelo traço, identifiquei um deles, mas, só para ter certeza, vi o crachá de identificação, onde estava escrito "Ivan Reis"



 Siiiiiimmmmmmm! Eu tive a sorte de ir à Bienal justamente no dia em que o desenhista Ivan Reis participou de algumas atividades no estande da Panini. Imediatamente, entrei no estande e procurei uma revista do Lanterna Verde para comprar e pedir autógrafo, mas só achei a edição # 0 da Noite Mais Densa. Peguei dois exemplares (um para meu amigo e sócio), mas a fila do caixa era gigantesca. Pedi então para minha namorada guardar um lugar na outra fila onde o pessoal estava conversando com o Ivan Reis. Pouco depois, ela retornou para me dizer que o bate-papo com os desenhistas estava sendo encerrado e somente as pessoas que já estavam na fila poderiam conseguir autógrafos. Nesse momento eu fiquei muuuuuuiiiiiiiiito frustrado. É claro que, seu eu soubesse que o Ivan iria naquele dia, teria ido logo para o estande da Panini e reservado meu lugar mas, como cometi o erro de não ver a programação, fiquei bastante chateado. 



Então tive a ideia de pedir a um dos expositores da Panini que conseguisse apenas os autógrafos nas edições que eu iria comprar. Os caras da Panini foram muito legais e levaram os exemplares para serem autografados e eu ainda pude falar à distância e brevemente com o Ivan. Ao lado dele estavam os arte-finalistas Joe Prado e Oclair Albert. Para quem não os conhece, é possível ler a respeito desses grandes profissionais brasileiros aqui e aqui. Não achei nenhuma biografia do Oclair na net, mas sei que ele é responsável pela arte-final da série A Noite Mais Densa e que já foi indicado ao prêmio Eisner por seus trabalhos. 


Quando Joe Prado me passou as revistas autografadas, ele também brincou e perguntou se eu iria colocar aquelas revistas no e-bay. Eu respondi que não, porque elas eram inestimáveis. E são mesmo! Não é qualquer dia que se consegue um autógrafo de três dos melhores artistas de quadrinhos da atualidade. E com certeza, elas serão uma feliz lembrança para o resto da minha vida.



Passado o deslumbramento com meu autógrafo personalizado, pude observar que a Panini montou um estande muito legal, com um espaço onde estava um batmóvel e grandes pôsteres da batcaverna mostrada em Silêncio (Hush) e da capa da primeira edição do arco de Jeph Loeb e Jim Lee, além de outros pôsteres menores de artistas diversos.




E assim encerrei minha visita com um saldo mais que positivo. Agradeço muito ao pessoal do estande da Panini e ao Ivan Reis, Joe Prado e Oclair Albert. Desejo boa sorte a esses grandes brasileiros e exímios profissionais. Muito obrigado pessoal!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Inseption







Era uma noite fria de agosto, mas mesmo assim fui ver Inseption (A Origem, no Brasil).E o que dizer do filme? Bem, linearidade é para os fracos. O filme é apresentado em fragmentos que vão se conectando no decorrer da exibição. Na trama, conhecemos Don Cobb (Leonardo DiCaprio), um "especialista" em furtar ideias da mente alheia, que age juntamente com seu amigo Arthur (Joseph Gordon-Levitt). Mas o golpe encomendado por um conglomerado mafioso dá errado e ambos não tem outra opção senão trabalhar justamente para o "alvo" de seu golpe fracassado, o executivo e gângster Saito (Ken Watanabe). A missão consiste em implantar uma ideia na mente do herdeiro de um grande magnata (Fischer Jr., vivido por Cillian Murphy), de modo que esse herdeiro não comprometa o futuro da empresa de Saito.

E para obter a ajuda de Cobb, Saito oferece a única coisa que ele deseja: a oportunidade de poder voltar aos E.U.A., onde ele é procurado por um crime que não cometeu. A partir daí Arthur, Cobb e Saito passam a recrutar membros para a equipe que irá empreender a missão: Yusuf (Dileep Rao), um químico para preparar os sedativos necessários para induzir a um estado de sono profundo; um falsificador e faz-tudo chamado Eames (Tom Hardy) e uma "arquiteta" chamada Ariadne (Ellen Page), cujo nome não foi escolhido por acaso. De fato, na mitologia grega, Ariadne era a filha do Rei Minos, que ajudou seu amado Teseu a matar o minotauro e sair do labirinto onde a fera habitava, entregando ao rapaz uma espada e um novelo de lã para marcar o caminho de ida e volta até a entrada.  

E assim como na mitologia, Ariadne é a responsável por criar os ambientes oníricos utilizados pelos personagens para implantar o sofisma desejado na mente do herdeiro do magnata e traçar a rota para a equipe chegar ao objetivo. Por meio dela aprendemos como Cobb trabalha nos sonhos e, ao mesmo tempo, a personagem serve como âncora para seu mentor, ajudando-o a superar um grande trauma que permanece em seu subconsciente. Não pretendo avançar na trama, para evitar spoilers e comprometer o prazer de quem pretende assistir o filme. Mas posso adiantar uma coisa: é preciso prestar muita atenção no totem que Cobb carrega e, principalmente, no que é dito sobre ele, porque isso é fundamental para se compreender o final.

Particularmente gostei da interpretação de Tom Hardy e muitas vezes percebemos que Eames é muito mais eficiente e astuto do que Cobb. Mas a política da boa vizinhança impõe que o coadjuvante não ofusque (muito) o ator principal e Hardy soube se destacar dentro de certos limites. Também acho que Joseph Gordon-Levitt está em seu melhor papel (bem, pelo menos dessa vez ele não estraga a personagem). Os demais atores não comprometem e cumprem seus objetivos.

O roteiro poderia ser melhor elaborado, já que alguns personagens, como Arthur, não tem outra motivação aparente para aceitar a missão, a não ser a boa e velha desculpa de ajudar o amigo. Arthur, Ariadne e Cobb são os únicos que não trabalham por dinheiro. O primeiro, como eu disse, não tem uma motivação bem definida, o que empobrece a personagem. Ariadne é adolescente, e como todos na sua idade, quer passar por novas experiências e descobrir coisas novas, o que me parece algo bastante aceitável. Já Cobb age apenas para tentar recuperar aquilo que considera mais importante em sua vida.

A trilha sonora é bastante competente e não poderíamos esperar menos do veterano Hans Zimmer. Na direção, Christopher Nolan mostra que é um dos melhores diretores de Hollywood atualmente, mas não podemos deixar de comparar Inseption com outro trabalho do diretor: Amnesia ou Memento. O roteiro fragmentado e a exploração pelo subconsciente da personagem principal são pontos em comum entre os dois filmes.







O conceito do filme não é original. E eu não fui o primeiro a notar isso. E não, não estou falando de Matrix. Aliás, não pretendo falar sobre a linha tênue que separa realidade e sonho,   até porque a maioria dos críticos já falou o suficiente sobre isso, tanto na trilogia dos irmãos Wachowski quanto no novo filme de Chris Nolan.

Na verdade, quando disse que o conceito não era original eu me referia ao Máscara Noturna, um "herói" criado para o Novo Universo, um selo da Marvel Comics do início da década de 1980. Como os demais personagens do Novo Universo, o Máscara Noturna se distanciava dos padrões clássicos dos super-heróis e abordava questões mais "realistas" e algumas até então inéditas para os comics

O Máscara era Keith Rensem, um jovem que sofreu um acidente de avião quando viajava com sua família. Ele e sua irmã foram os únicos sobreviventes do desastre. Keith permaneceu em coma por um ano e por conta do acidente permaneceu com uma cicatriz em forma de meia-lua em sua testa. Posteriormente ele descobriu que podia entrar no sonho das pessoas e que, no mundo onírico, conseguia manter um elo com sua irmã. Essa irmã, assim como a Ariadne mitológica, era a responsável por guiar Keith de volta à realidade. Keith era uma pessoa comum e só se manifestava com o uniforme e certas habilidades no mundo dos sonhos. Ele e sua irmã eram membros de um instituto de psicologia que ajudava pessoas com problemas que, em geral, se manifestavam pelos sonhos. Infelizmente o Novo Universo não atingiu as metas de vendas esperadas e foi cancelado depois de algum tempo. 

Voltando ao filme, Inseption me fez pensar em algumas coisas, como o valor de uma ideia e sua relação com os sonhos. O mundo poderia ser completamente diferente se Alexandre não tivesse a ideia de dominar a Grécia e o império Persa, avançando por todo o mundo conhecido até então. Ou se Colombo não tivesse a ideia de cruzar o oceano, numa viagem que o levaria a descobrir a América. Exemplos não faltam. E podemos perceber que, muitas vezes, a palavra sonho é associada a ideias, ou ideais, ou metas. O discurso mais famoso de Luther King chama-se I have a dream, ou "Eu tenho um sonho" e, nele, o famoso pastor falava sobre seu desejo de ver posta em prática a igualdade de direitos para brancos e negros. Há uma relação muito profunda, portanto, entre as ideias e os sonhos. Uma ideia pode ter valor inestimável, porque ela pode mudar o mundo. 

Pensando assim, o fato de se utilizar os sonhos para se implantar uma ideia não parece tão absurdo, não é mesmo? Nos sonhos, ou em nossas ideias, costumamos projetar aquilo que queremos ser, não o que somos. Às vezes agimos de acordo com essas projeções, mas, em situações críticas, costumamos agir conforme nossa verdadeira personalidade e, não raro, nos sentimos culpados e tristes por isso. Platão dividia a realidade basicamente em dois planos: o mundo ideal e o mundo real e, segundo ele, os homens deviam buscar aproximar os dois mundos, tornando o segundo mais parecido com o primeiro, onde prevaleciam virtudes e ordem. 

Em Inseption, Cobb e Arthur são contratados para agir de acordo com os interesses de um conglomerado corrupto, passando por cima da vida de Fischer e daquilo que eventualmente ele poderia fazer para o mundo, com a tecnologia da empresa do pai. Não existe ética. Todas as personagens agem de forma egoísta e considero que muitas pessoas reais fariam o mesmo. 


Hoje em dia as empresas valorizam apenas os funcionários que possuem "ambição", ou seja, o desejo de progredir na hierarquia de cargos e ganhar sempre mais dinheiro, a qualquer custo. O problema é que, nessa lógica, a ética e certos valores morais ficam para trás. E os empregadores não se importam com isso (apenas fingem que se importam). Muitos profissionais e empresários se valem dos mais variados tipos de golpes contra colegas ou concorrentes, em sua busca ensandecida pela ascensão social e profissional, assim como as personagens do filme. A espionagem industrial é comum nos dias atuais e acredito que muitas empresas somente não roubam  ou implantam ideias como Cobb simplesmente porque elas não dispõe de tecnologia ou dos meios necessários para tanto. 

E em meio a essas divagações, me pergunto que espécie de mundo estamos criando para as próximas gerações. Quando vejo uma realidade como a de Inseption, o que mais me incomoda é o fato de que aquela ficção se parece cada vez mais com a nossa realidade. E as pessoas não estão muito preocupadas com isso.