domingo, 27 de fevereiro de 2011

Reviews: Batman # 97 e Batman # 98

Batman # 97






Estou bastante atrasado com os reviews, então, dessa vez, vou mandar dois pelo preço de um. E acredito que essa edição # 97 seja um tanto problemática. Na primeira história, escrita e rabiscada pelo Tony Daniel, o leitor "cai de pára-quedas" em circunstâncias que não haviam sequer sido comentadas nas edições anteriores. Para começar, o agora overpower chefão do crime Máscara Negra enfrenta a Guarda Nacional dos E.U.A. e foi encurralado em um perímetro de Gotham chamado de "Quadrado do Demônio" (?).

Ao ler essa história imaginei que ela seria um desdobramento de outros fatos mostrados possivelmente em outras revistas do Morcego (e não publicadas pela Panini). Mas também é possível que seja simplesmente (mais um) erro de roteiro do Tony Daniel. Tudo é possível. De qualquer modo, o bat-editor poderia situar o leitor desavisado por meio de uma simples nota de rodapé, ou mesmo inserir um texto explicativo... mas estamos falando da Panini, não é mesmo? 

O fato é que Batman encontra vários capangas do Máscara Negra mortos por aí e começa a se preocupar com um possível ataque da Guarda Nacional, pois o Máscara Negra mantém "milhares" de gothamitas (??) presos no
"Quadrado do Demônio". Além disso, parece que o vilão começa a recrutar pessoas sem ficha-criminal e que não possuem nenhum tipo de inclinação para o crime. Por isso não há explicação para o envolvimento dessas pessoas em atividades criminosas dentro da quadrilha do Máscara. Sério, essa história já te joga todas essas informações e a sensação é a mesma de andar vendado por um labirinto. 

Descobrimos que o Máscara Negra está trabalhando com Hugo Strange, Terror e o Dr. Morte (todos vilões e inimigos do Morcego, já conhecidos pelos leitores). Paralelamente, Batman tenta descobrir o local exato onde o Máscara Negra se esconde... com milhares de reféns (algo muito difícil para um detetive, não é?). E justamente seguindo uma pista Batman reencontra um ilustre membro de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade: Mario Falcone. Ele está de volta a Gotham e, desta vez, parece ter seguido os passos de seu pai. Além disso, o Máscara Negra consegue descongelar e aparentemente reviver alguém com péssimas lembranças da Segunda Guerra Mundial. Não estou certo sobre a identidade dele, por isso pretendo confirmar isso nas próximas edições.


Na segunda história da revista, temos a continuação daquela chateação feita pelo Chris Yost e Dustin NGuyen. Para resumir, posso dizer que a Caçadora e o Morcego Humano recebem o apoio do Batman e os três descobrem que há um assassino contratado para matar uma lista de pessoas, a mando do Máscara Negra. Esse assassino utiliza um traje que lhe permite ficar invisível e, com isso, se tornar muito mais eficiente. O Morcego Humano é o único que consegue "vê-lo", porque sua visão funciona como um sonar. E no momento em que o padre parece prestes a matar os vigilantes, ele ataca e nocauteia o assassino oculto, dando a entender que apenas fingiu ter enlouquecido.... dãaaaaa.....


Sabe, essa história não acrescenta absolutamente nada. A Caçadora já foi uma personagem legal, mas infelizmente ela vive progredindo e regredindo conforme os roteiristas a utilizam ao longo dos anos. Para alguém que já foi membro da Liga da Justiça e que trabalha a tanto tempo com o Batman e seus aliados, já estava na hora dela superar esse lance de "descontrole" e "violência excessiva". Espero que algum escritor ainda aproveite o potencial dela, porque ela tem.


Na última história da edição, percebe-se um erro de continuidade logo no início (até tu, Morrison?). Na edição anterior (#96), a dupla dinâmica havia sido derrotada por Jason Todd e sua nova ajudante, Escarlate. Nesse momento, o Flamingo aparece e a história termina. Na edição seguinte (#97), Dick e Damian aparecem amarrados, enquanto Jason e Escarlate enfrentam o Flamingo. Logo... ou Jason "pediu licença" para prender Batman e Robin enquanto Escarlate servia café para o Flamingo, ou Morrison esqueceu o ponto de ligação entre as duas histórias (ou simplesmente ignorou a continuidade, por conveniência). Entendo que, do ponto de vista do roteiro, é muito mais legal deixar o vilão sinistro aparecer no final e criar um clima de suspense, mas, nesse caso, Morrison precisaria retomar a trama desse ponto e mostrar Dick e Damian caídos entre o Flamingo e Jason.


Bom, deixando esse "detalhe" de lado, Jason "Capuz Vermelho" Todd e Escarlate confrontam o Flamingo enquanto Dick e Damian percebem que foram presos e colocados diante de uma câmera de TV. Jason colocou no ar um comercial no qual promete que Batman e Robin aparecerão nus caso seja alcançada uma determinada quantidade de ligações para um número qualquer. Em outras palavras, a câmera de TV será ligada assim que a quantidade de ligações for atingida, o que deve acontecer rápido. No entanto, Damian é esperto e consegue afrouxar as cordas, o que permite que a dupla dinâmica se liberte antes que a câmera seja ligada. Batman e Robin ainda conseguem ajudar na luta com o Flamingo, mas esse último leva vários tiros nas costas e fica incapacitado. O Flamingo acaba sendo derrotado e é dado como morto, mas seu corpo não é localizado. Antes de ser preso, Jason provoca Dick, lembrando seu antecessor de que ele tem os meios para trazer Bruce Wayne de volta e somente não faz isso porque não quer. Dick quase perde o controle diante disso, mas é contido por policiais. Durante o confronto a Escarlate foge e consegue se livrar da máscara facial do Dr. Porko. De volta à batcaverna, Dick abre um cofre, no qual estão guardados os restos mortais de Bruce Wayne (supostamente).


E mais uma vez Morrison cria um nó na cabeça do leitor. Aqueles que acompanharam a Crise Final, na qual Bruce Wayne é morto e, mais recentemente, A Noite Mais Densa, sabem que os restos de Bruce Wayne haviam sido colocados num túmulo ao lado da lápide de seus pais (sendo que o vilão Mão Negra havia roubado o crânio de Bruce para trazê-lo de volta como Lanterna Negro). Como explicar então que os restos mortais do Morcego estavam na batcaverna? Essas e outras perguntas criam uma enorme e desnecessária confusão, o que tira o brilho do trabalho do escocês.


No geral, é uma edição mediana e nem mesmo a história de "Batman & Robin" conseguiu elevar o nível da revista.




Batman #98






Retomando a trama criada por Tony Daniel, Batman e Robin continuam procurando pistas sobre o esconderijo do Máscara Negra, sem muito sucesso. Nessa história temos algumas dicas importantes sobre a possível identidade do atual Máscara Negra. Tony Daniel também faz algo extremamente errado ao devolver o status de vilãozinho de segunda ao Charada. O Charada havia passado por reformulações recentemente e a única que realmente resultou em algo bom foi aquela em que ele se redimia de seus crimes e passava a trabalhar como detetive particular, muitas vezes pentelhando o Batman. Esse era um rumo diferente e muito mais promissor do que aquele em que o Charada já trilhou há muitos anos. Voltar a ser um  bandido obcecado por enigmas é um regresso que o editor das revistas americanas não deveria permitir.


Nessa edição Batman consegue uma pista importante sobre o Máscara Negra, mas o jovem que lhe forneceu a informação é baleado.


Na segunda história, temos a continuação do trabalho de Grant Morrison, com o traço razoável de Cameron Stewart (que é muito melhor do que Philip Tan, diga-se de passagem). Ainda acho incrível como a DC erra ao negar um bom artista para trabalhar com o escocês. Depois de tanto tempo com o Andy Kubert e três edições com o Quitely, o leitor ficou acostumado com a boa qualidade da arte e a editora deveria se preocupar em manter o nível. 


Bem, no enredo, Batman viaja para a Inglaterra e mais uma vez volta a trabalhar com a Escudeira e Cyril, heróis ingleses que haviam participado do Clube dos Heróis, uma associação de vigilantes do qual o Batman chegou a fazer parte no passado.


O fato é que há um poço de Lázaro na Inglaterra e Dick planeja levar o cadáver de Bruce até lá, para reviver seu mentor (seguindo o "conselho" de Jason Todd). Enquanto isso, em Gotham, Damian se submete a uma sofisticada cirurgia para reparar os danos causados pelos tiros do Flamingo. Tália aparece apenas para garantir que tudo irá transcorrer bem e parte assim que a cirurgia é encerrada. Na mina, Batman encontra a Batwoman (?), que estava perseguindo uma quadrilha de fanáticos criminosos... sim, essa explicação é furada e a participação dela é dispensável, mas acho que a DC está se esforçando para que a personagem decole, então é possível que haja a intenção de colar a Batwoman em personagens famosos para agregar um pouco de popularidade a ela.


Enfim, depois de convencer a Batwoman, Dick finalmente submerge o corpo de Bruce no poço e, na história seguinte, a Batwoman explica melhor como chegou até a mina e como foi capturada. Depois, o "Batman/Bruce" submerge do poço e passa a atacar Dick, Batwoman, Escudeira e Cyril, ao mesmo tempo. Mas nesse momento descobrimos que aquele não é o cadáver de Bruce Wayne, mas sim um clone (?) criado por Darkseid por motivos que permanecem obscuros... (sério, acho que está na hora de parar de ler gibis de heróis...).


Bem, o cadáver consegue deixar todos presos na mina e parte para Gotham, onde é recebido por Alfred e Damian (que ainda está se recuperando da cirurgia). Na mina, a Batwoman é seriamente ferida e corre risco de morte. A edição termina com o clone encarando Damian e prestes a trucidá-lo.


Numa avaliação breve, posso dizer que Batman & Robin não tem mais aquele clima leve e descontraído que marcaram as primeiras edições. Mas acho que Morrison está dando voltas demais no roteiro. Depois de tantas críticas sobre Crise Final e sobre a confusão gerada com o destino de Bruce Wayne, o escritor deveria tentar simplificar as coisas para os leitores. É claro que, quando se trata do Morrison, nada é de graça e, certamente, ele deve ter alguma razão para incluir todos esses elementos e personagens. E por enquanto, ainda não é possível saber para onde as coisas vão caminhar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Supreme Class Starscream

Saudações! Estamos voltando em 2011 em grande estilo! E quando digo "GRANDE" estou falando sério! Devido a problemas técnicos, tive de esticar as "férias" do blog por mais tempo, porém agora pretendo fazer atualizações semanais ou quinzenais, na medida do possível.

Este é o Starscream da série Cybertron (que não foi exibida no Brasil, como a maioria). Apesar de não colecionar essa linha, sempre fui muito fã do personagem e, como este modelo é a única versão na maior classe de brinquedos da Hasbro, ou seja, supreme class, não tive dúvidas de pegar um quando a oportunidade surgiu.


E é bom lembrar que, apesar de ser o líder dos Decepticons desde a série original, o próprio Megatron não tem uma versão supreme.... LOOOOOOOSEEEEER!!!    =P



 










Bem, esse Starscream é um tanto diferente de sua versão original (a personagem da G1). Na série Cybertron ele é um exímio guerreiro, extremamente cruel. Após ser reformatado adquiriu um novo modo alternativo (um jato alienígena), lâminas nos braços e os já tradicionais disparadores de raios nulos (veja o perfil completo dele aqui).

É interessante notar que, apesar de ser a maior classe de brinquedos da linha Transformers, a maioria dos Supreme Class não conta com boas articulações e a poseabilidade é um tanto limitada. No caso do Starscream, ele é praticamente idêntico à sua versão voyager class, só que obviamente maior. Como todos os Supreme, ele conta com um botão para sons e luzes, mas esses detalhes são bastante restritos em relação a modelos mais novos, como o Ultimate Bumblebee e o ROTF Devastator.

All hail Starscream!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Review: Batman # 96



A nova dupla dinâmica está incomodando o crime organizado. E os mafiosos resolvem trazer para Gotham um assassino conhecido por sua eficiência e crueldade: o Flamingo. 

Por outro lado, Jason Todd e sua nova ajudante, Sasha (uma das vítimas do vilão Porko), decidem adotar uma nova filosofia, segundo a qual a punição deve equivaler ao crime. Jason e Sasha passam a confrontar criminosos com os nomes de Capuz Vermelho e Escarlate. Não por acaso, muitas vezes são confundidos com Batman e Robin, mas seu estilo mais violento e o rastro de cadáveres indica a diferença de seus métodos. Ao mesmo tempo, Jason começa uma campanha em Gotham para "legitimar" suas ações e, aos poucos, vai conseguindo convencer a população de que fazer justiça com as próprias mãos é aceitável para diminuir a criminalidade na cidade.

Inevitavelmente Batman e Robin acabam confrontando Capuz Vermelho e Escarlate. Mas, devido à impetuosidade de Damian, Todd e Sasha conseguem fugir. Num segundo confronto, estes últimos levam a melhor, mas são interrompidos pela chegada do Flamingo.

Grant Morrison continua construindo seu tabuleiro de xadrez e acrescentando novos peões. O Flamingo é uma personagem bastante diferente do estereótipo de vilão. Resta saber se ele será bem utilizado e o que ele fará diante do confronto de Batman e Robin contra o Capuz e Escarlate. O clima de suspense dessa parte final deixa o leitor com um ponto de interrogação na cabeça e, ao mesmo tempo, com a vontade de ler logo a edição seguinte.

A bola fora das duas primeiras histórias é o desenhista Philip Tan. Sempre achei que um bom roteiro merece uma bela arte. Mas o fato é que o traço de Tan não tem a qualidade necessária  para um título como o Batman. É uma pena que, apesar de ter tantos artistas melhores à disposição (como Ivan Reis e os irmãos Kubert), a DC insista em colocar talentos menores nas revistas de suas principais personagens.    



Na terceira e última história, escrita por Chris Youst e ilustrada por Dustin Nguyen, conhecemos o Padre Mark, um religioso que chega à Gotham com grandes esperanças. Mas, aos poucos, o jovem padre é contaminado pela corrupção da cidade, o que compromete sua fé. Há também um confronto mal-explicado entre a Caçadora e o Morcego Humano pelos telhados de Gotham e os dois acabam caindo justamente sobre a igreja do Padre Mark, o qual, aparentemente, apresenta algum distúrbio mental que o impele a matar seus "visitantes". A conclusão da trama fica para o próximo número. Eu gostaria de falar mais, mas a história se resume a isso mesmo.  =P

E aqui encerro os posts de 2010. Agradeço aos amigos e demais leitores pela audiência e espero que em 2011 continuem acompanhando o blog. E sim, eu sei que preciso terminar e fazer um post sobre o batmóvel (como alguns outros trabalhos), mas tenham paciência, se tudo der certo esse post deve sair em janeiro.



Feliz Natal!

E um ótimo 2011 a todos!


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Só assim pra ler Machado...



Eu vou confessar uma coisa pra vocês: sempre achei as obras de Machado de Assis muito chatas. Lembro que, quando estava lendo "Dom Casmurro" eu sentia vontade de jogar o livro no lixo e somente não fiz isso porque precisava terminar a leitura para um trabalho de escola.

Na verdade, autores como Machado, José de Alencar, Mário de Andrade e Graciliano Ramos viveram em um período histórico muito diferente do atual. Na época deles até podia estar na moda esse estilo excessivamente descritivo, lento, com personagens angustiados e tudo mais (chamado de "realismo"). Até o início do século XX uma carta poderia levar meses para ser entregue ao destinatário.

Por isso acho que o meu problema com "os grandes nomes da literatura nacional" é que o que  eles escreveram não me diz respeito. Faço parte da geração que cresceu com influência predominante da TV, videogames e campanhas de marketing safadas para vender brinquedos, ou seja, um mundo muito mais dinâmico (e sob muitos aspectos mais interessante e com mais atrativos) do que aquele em que Machado vivia.

Não admira que o interesse pela leitura não seja característica do brasileiro. Sempre defendi a ideia de que os jovens deveriam ser estimulados a ler com obras "mais leves", como clássicos da literatura universal, principalmente aqueles escritos por Julio Verne, Charles Dickens, Jack London, entre outros, ou mesmo livros próprios para novos leitores, como a saudosa coleção Vaga-Lume, da editora Ática. Esses livros têm a vantagem de serem feitos para o público infanto-juvenil e acabam despertando o interesse pela leitura e desenvolvendo a capacidade imaginativa e de abstração.

Aliás, desculpem, mas Machado de Assis é superestimado. Sua obra não chega aos pés dos livros do já citado Charles Dickens (quem leu a coletânea "Retratos Ingleses" entende o que estou dizendo) ou mesmo de Shakespeare, um autor que, em sua época, fazia peças populares e que, hoje, é considerado erudito, diante da mediocridade moderna.

E por favor, entendam bem: não sou crítico literário nem tenho a pretensão de julgar os dogmas que certos círculos de "especialistas" estabeleceram. Estou dizendo apenas  que não sinto outra coisa senão tédio quando leio livros de alguns autores nacionais "renomados". E a maioria dos jovens também pensa assim, embora não tenha coragem de admitir. 

Eu me lembro que, durante um curto período em que trabalhei numa editora atendendo professores, cheguei a comentar com alguns deles que os "clássicos nacionais" não seriam os livros mais indicados para crianças de sexta a oitava série, mas os "mestres" se mostravam irredutíveis com a ideia fixa de enfiar os livros goela abaixo de seus alunos.

Por isso li com muita satisfação um artigo recente da revista Superinteressante do mês de novembro p.p., no qual se conclui que a "escola mais atrapalha do que ajuda" na formação do hábito da leitura e, mais, que uma das alternativas para se estimular novos leitores seria a indicação de livros mais próximos da realidade deles. Até que enfim alguém percebeu o óbvio!

E nesse ponto eu retorno à obra em questão. Como eu disse antes, depois de ler "Dom Casmurro" eu fiquei profundamente traumatizado com qualquer coisa que se referisse a Machado de Assis. Mas recentemente a Editora Lua de Papel lançou uma coleção chamada "Clássicos Fantásticos", com a proposta de apresentar aos leitores novas versões de obras famosas, no melhor estilo trash e com características mais atuais.


Dentre os livros dessa coleção, há "A Escrava Isaura e o Vampiro" (de Bernardo Guimarães e Jovane Nunes); "Senhora, a Bruxa" (de José de Alencar e Angélica Lopes); "Dom Casmurro e os Discos Voadores" (de Machado de Assis e Lúcio Manfredi) e, finalmente, "O alienista caçador de mutantes" (de Machado de Assis e Natália Klein).


Escolhi este último para folhear e acabei comprando. A trama se inicia quando um objeto voador não identificado acaba fazendo um pouso forçado na pacata cidade de Itaguaí. Logo após surgem relatos de um vírus alienígena que provoca mutações nos habitantes locais. E em meio a todo o alvoroço causado, surge um pretenso "especialista", chamado Simão Bacamarte, que se diz médico geneticista e que se dedica ao estudo das mutações, razão pela qual passa a ser conhecido como "o alienista", uma mescla de alien e especialista. 


E a primeira observação é que Natália Klein desenvolveu personagens bastante interessantes. O leitor não consegue deixar de rir com os trejeitos afetados de Bacamarte, ou suas investidas nada discretas ao farmacêutico de Itaguaí (por quem o alienista mantém uma inexplicável atração). Há diversos elementos atuais, como alusões ao Google, Michael Jackson e diversos super-heróis e personagens do cinema e da TV (sim, porque a autora dessa paródia também pertence à minha geração e por isso possui as mesmas influências). Há, evidentemente, um problema cronológico nisso, mas essas alusões foram feitas intencionalmente, talvez como uma forma de diminuir a enorme distância entre o mundo do leitor atual e aquele existente no século XIX. Esse é um recurso muito utilizado no teatro e na teledramaturgia e funciona bem quando se trata de humor.


Há uma pisada de bola no texto, pois a autora confunde o termo "imigrante" (pessoa que se desloca de um país a outro) com "migrante" (pessoa que se desloca de uma região ou estado para outro(a), mas dentro do próprio país). No livro percebe-se que foi utilizado o termo "imigrantes" para designar "migrantes" (como na página 51). Este é um lapso até perdoável para a escritora, dadas as múltiplas atividades as quais ela se dedica, bem como prazos, e etc. Mas o mesmo não se pode dizer da revisora, no caso, a sra. Marília Chaves. Pena que  esta última não estava prestando atenção ao texto que estava revisando.... ela perdeu uma leitura muito legal. Esse pequeno deslize quanto a conhecimentos geográficos básicos tira um pouco o brilho da obra, mas não chega a estragar o barato do livro.  


Eu não vou dizer que essa nova versão seja melhor que a obra original, mas que é mais divertida... ah, isso é! 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Red - aposentados e perigosos



Bruce Willis é conhecido por ser um ator de filmes de ação. Quando você lê o nome dele nos créditos, já pode imaginar do que se trata. Mas nem sempre foi assim, já que o ator ganhou fama num seriado de comédia (A Gata e o Rato) e também já fez papéis dramáticos com desenvoltura (como em O Sexto Sentido).

Mas o importante é que aqui Willis volta ao gênero que marcou sua carreira desde Duro de Matar: ação com pitadas de comédia.

Na trama, Willis interpreta o ex-agente da CIA Frank Moses, que se aposentou há anos. Ele leva uma vida insuportavelmente entediante e solitária. Mas Moses não é como a maioria dos aposentados americanos que praticamente vivem na frente da televisão. Nos momentos mais solitários, ele costuma telefonar para uma atendente do serviço do seguro social, chamada Sarah (Mary-Louise Parker). Sarah é uma sonhadora que está bastante descontente com os rumos que sua vida pessoal, profissional e amorosa vem tomando e que adora romances de espionagem. Duas pessoas que vivem em mundos completamente diferentes mas igualmente sozinhas. Já sabemos onde isso vai dar, não é mesmo?

Bem, certa noite Moses sofre uma tentativa de assassinato e descobre que o grupo de assassinos que o atacou pertence à CIA (sua ex-empregadora). Assim, Moses passa a travar uma guerra particular com a agência, na tentativa de descobrir as razões para que a CIA o queira morto, levando Sarah a tira-colo (ele sabia que a moça corria perigo e decidiu levá-la consigo, o que a faz correr perigo também, mas é Hollywood, então deixa pra lá). E como não poderia enfrentar esse enorme problema sozinho, Moses passa a recrutar outros ex-agentes: Joe (Morgan Freeman), Marvin (John Malkovich) e Victoria (Hellen Mirren).

Devo dizer que a participação de John Malkovich engrandece muito o filme. Ele interpreta um veterano que foi cobaia de experimentos militares por anos e hoje carrega as consequências disso. É extremamente paranóico (como muitos americanos) e tem um temperamento bastante instável. Acho que um dos méritos do filme é esse: ele brinca com a paranóia coletiva, primeiro ridicularizando, depois demonstrando que, em muitos casos, o governo realmente faz aquilo que os paranóicos imaginam. Outro grande destaque do elenco é Ernest Bornigne (o eterno Dominic do seriado Águia de Fogo e uma lenda do cinema). Mesmo com mais de noventa anos, sua participação é breve, mas marcante.

O nome do filme é extraído de uma sigla criada para qualificar "aposentados extremamente perigosos" (Retired Extremely  Dangerous), uma definição que cai como uma luva sobre o grupo de Moses. Na verdade, a película é uma adaptação da HQ de mesmo título de Warren Ellis (que eu vergonhosamente ainda não li, então não posso fazer comparações).

Algumas cenas de ação são absurdas, como a maioria dos filmes de Willis, mas, pelo menos aqui, elas servem para rir. Uma boa dose da violência de "Red" é canalizada para o humor. O filme aborda a velha questão sobre o trabalhador que não consegue se adaptar à aposentadoria, o que, no caso, signifca agentes que não conseguem deixar de matar pessoas. As excentricidades e esquisitices dos protagonistas provocam muitas risadas. 

É um filme divertido e que não deve ser levado a sério, mesmo porque seu objetivo não é esse. Se você é fã do Willis, certamente vai gostar. 


sábado, 27 de novembro de 2010

Ironhide Classics Custom





Esse carinha me deu mais trabalho do que eu havia previsto. Apesar de ter um ótimo molde para customização (ou seja, muitos parafusos e poucos pinos), tive bastante dor de cabeça para lixar peças bastante justas entre si. Foram meses inteiros de trabalho, mas o resultado acabou compensando.  =D

Desde que comprei esse item, gostei muito do molde do modo robô (mas nem tanto do modo alternativo) e, ao mesmo tempo, detestei o esquema de cores dele. Na verdade o que eu odeio é o fato de que a Hasbro costuma usar um plástico cinza muito feio e sem pintura alguma para simular detalhes de metal. O tom de vermelho do Ironhide também não ficou bom. E o que dizer desse rosto azul??



Bom, a linha Classics não prima muito pela fidelidade às personagens da G1, tanto que o Bumblebee passou a ser um sedan e o Ironhide se tornou uma S.U.V. (Sport Utility Vehicle). E um veículo mais moderno demanda um esquema de cores mais arrojado. Por isso substituí o vermelho original por outro metalizado. Também acrescentei detalhes metálicos nos pára-choques, pintei as janelas de preto e os faróis, o que o deixou com um visual mais elegante.

A experiência prática me ensinou que, para evitar danos na hora da montagem, é aconselhável passar vaselina líquida nas partes que se encaixam. Mas infelizmente tive a péssima ideia de tentar limpar os excessos com uma flanela antes de tirar as fotos e isso fez com que o item ficasse cheio de fiapos de tecido.  =/


Enfim, eis o resultado de meses:
































Devo admitir que fico orgulhoso por conseguir enxergar meu reflexo no pára-brisa dele.  =D

Deixei as peças meio desencaixadas de propósito no modo alternativo, porque as tintas ainda estão frescas e pretendo evitar muitos danos à pintura, pois cada conversão de um modo para outro gera atritos entre as peças que, infelizmente, descascam a pintura. Por isso itens customizados não devem ser convertidos com frequência.

Tintas poliéster utilizadas: vermelho barroco metalizado, vermelho dakar perolizado, preto "liszt", amarelo cais III metalizado e prata diamante net. 


E para aqueles que me perguntaram sobre o batmóvel, como eu disse antes, ele está quase pronto... tenham um pouco mais de paciência. See ya!  =D


ATUALIZAÇÃO: Meu amigo Leandro Rodrigues é artista plástico e me passou seus e-mails de contato (leandroopcao@yahoo.com.br e leankoller@hotmail.com). Ele me pediu para avisar que pode providenciar máscaras para customs diversos e adesivos para Transformers ou outros colecionáveis, além de esculpir peças e acessórios. Portanto, eventuais interessados podem falar diretamente com ele. =D

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Review: Kickback





Este é um trabalho autoral do artista inglês David Lloyd, famoso pela obra "V de Vingança", produzida em conjunto com seu compatriota Alan Moore. Trata-se de um drama policial, ambientado na fictícia cidade de Franklin City, 

E em meio ao mar de lama em que as instituições da cidade estão mergulhadas, conhecemos o protagonista da história: Joe Canelli, um policial corrupto que luta diariamente com sua consciência e com os valores recebidos por sua família. Canelli passa a investigar os assassinatos de vários de seus colegas, cujas mortes vão, aos poucos, revelando uma imensa rede de intrigas formada por uma grande e poderosa organização criminosa.  


Franklin City é uma metrópole como outra qualquer e que, nas palavras do autor, possui problemas comuns com os grandes centros urbanos modernos, como violência, corrupção policial, drogas... enfim, para quem vive no Brasil, todos esses temas não são novidade.

Um detalhe interessante sobre essa obra é que os únicos objetos reais reproduzidos pelo artista são os revólveres. Todos os demais, como automóveis, casas e telefones foram concebidos pelo Lloyd, razão pela qual ele chegou a conceituar sua obra como "expressionista" durante o Fest Comix 2010. Outra característica de Kickback é que, assim como "V de Vingança", não há recordatórios ou onomatopéias. O texto é enxuto e bastante objetivo, enquanto a arte se encarrega de transmitir o clima soturno da cidade e que envolve todos os seus habitantes.


No geral, não se pode dizer que Kickback seja um clássico, mas merece ser lido.









E aproveitando o tema do post, gostaria de republicar uma matéria da extinta e saudosa revista Crash (uma revista feita por pessoas que gostavam de HQ´s... não por editoras que querem apenas fazer publicidade para seus títulos e alavancar vendas, como a famigerada Wizmania). Agradeço à minha amiga Lily pela permissão para reproduzir integralmente a entrevista concedida pelo David Lloyd, na época em que ele esteve em São Paulo para recolher material de referência da capital paulista e desenhar o volume da série "Cidades Ilustradas", da qual fora incumbido (veja aqui). Durante o bate-papo, o artista fala sobre o começo de carreira, sua opinião sobre a adaptação cinematográfica de "V de Vingança", seu trabalho com Alan Moore e, lógico, sobre a obra Kickback, entre outros assuntos. 






D de David Llyod
Por Tatiana Napoli, com colaboração de Amaruk Seta / Fotos: Lily Carrol

Era uma sexta-feira sufocante quando a equipe da CRASH se encontrou com David Lloyd em um hotel de São Paulo, cidade que ele irá retratar em seu próximo trabalho, "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21.
Mesmo com o calor e o atraso causado pelo trânsito paulistano, David não perdeu o bom humor inglês enquanto falava sobre o início da sua carreira, "V de Vingança", e seu trabalho mais recente (lá fora), "Kickback". Simpático, David ficou encantado ao saber que a CRASH cobre séries de TV, cinema e quadrinhos. "Não há muitas revistas que tratam de quadrinhos na Inglaterra. Isso é ótimo", ele comentou sobre a revista. Confira agora o resultado dessa conversa.

Crash — Nós gostaríamos de começar falando sobre a sua carreira. Como foi sua fase inicial e como você se desenvolveu como artista?
David Lloyd: O primeiro emprego que eu tive foi em um estúdio e fiquei lá por dois anos e meio, mas queria fazer quadrinhos. Enviei idéias de tirinhas para alguns jornais e um deles me escreveu de volta dizendo que tinham achado o material ótimo. Achei fantástico e pedi demissão do meu trabalho. Só que o jornal acabou voltando atrás. Mas, como eu não queria voltar para o meu antigo emprego, tentei começar a trabalhar como desenhista free-lancer, mas recebi muitas rejeições. Então, pensei muito e percebi que não era um artista tão bom quanto deveria ser. Senti que tinha que tentar me tornar um artista melhor.

E como você fez isso?
DL: Arranjei empregos de meio-período.Trabalhava três vezes por semana e no restante do tempo me esforçava para me tornar um artista melhor. Fiquei nessa por uns quatro anos, até que fui convidado a fazer as ilustrações de um livro sobre uma série de TV chamada "The Logan's Run". Foi meu pontapé inicial, e daí eu continuei. Foi uma bola de neve.Trabalhei para algumas editoras até ir para a Marvel UK.

E na Marvel UK, o braço da Marvel no Reino Unido, você conheceu o Alan Moore. Como nasceu "V de Vingança" e como as idéias de vocês se desenvolveram?
DL: O editor com quem eu trabalhava na Marvel queria fazer sua própria revista e me chamou. A pauta era basicamente um mascarado que combatesse o crime e eu deveria escrever e desenhar. Mas, na época, achei que não fosse fazer um bom trabalho escrevendo. E conhecia Alan muito bem. Então, o convidei para trabalhar comigo, e ele aceitou. Nos sentamos juntos e trocamos idéias. "V" foi, na verdade, a combinação de duas coisas. Eu tinha criado a história de uma revolucionária urbana lutando contra uma ditadura fascista na Inglaterra, uma mulher chamada Evelina Falconbridge. E Alan tinha umas idéias malucas sobre um assassino em série e um homicida com um plano de vingança. E nessas duas idéias, uma chamada The Doll (O Boneco) e a outra The Clown (O Palhaço), os dois personagens usavam uma maquiagem meio maluca no rosto.

Foi daí que nasceu o V?
DL: Ele foi uma mistura de tudo isso, resultando naquela figura que luta contra uma ditadura fascista na Inglaterra do futuro. A idéia original era deixá-lo com uma aparência muito mais mundana, mas Alan queria fazer algo teatral.

E como é que você teve a idéia para a máscara do Guy Fawkes?
DL: Guy Fawkes foi um revolucionário inglês que queria explodir o Parlamento. Ele e vários outros conspiradores plantavam bombas para criar desordem. E nosso personagem iria fazer exatamente a mesma coisa. Ele seria um sabotador, tentando destruir o governo e o regime e criar o caos.Tendo em mente a teatricalidade, eu vi que nós poderíamos realmente adotar a "persona" e a aparência de Guy Fawkes e daí veio a idéia da máscara.

O filme fez bastante mudanças em relação ao original. O que você achou delas?
DL: Eu acho que eles fizeram um ótimo trabalho. Mas é uma versão diferente da original. Eu sei que alguns fãs de "V de Vingança" odiaram o filme, mas a maior parte dos fãs que eu conheço geralmente chegava no cinema achando que ia ser horrível e se surpreendia positivamente.Assistiam ao filme, falavam "não é o original, mas é
bom" e aceitavam isso. Foi feito um bom filme, mantiveram o espírito. Não é uma traição ao original.

O que você considera de diferente no V do filme e no V do original?
DL: Politicamente, são duas obras diferentes. No original, o V é um anarquista. Ele é um sonhador, porque a única coisa que consegue começar é o caos, mas ele espera que esse caos resulte em anarquia. Já no filme ele é um pragmático, que sabe que a única coisa realista que pode fazer é encorajar as pessoas a se libertarem da ditadura e continuar daí. Eu achei a idéia do final, com todo o mundo mascarado como V, muito inteligente. É a combinação de uma expressão individual, do V, com a resistência de massa. Foi uma idéia ótima. As pessoas que se envolveram com o projeto eram fãs do livro. Acho que por isso que fizeram um trabalho tão bom. Eu deixo o debate de o que deveria ter sido mantido e o que deveria ter sido excluído para os outros, porque fiquei muito satisfeito com o resultado.

E o que você achou da reação do Alan Moore, que odiou o filme?
DL: Fiquei meio triste por Alan não ter gostado como eu. Ele ficou realmente
chateado com o filme. Acho que parte disso é porque Alan teve experiências ruins com outros de seus trabalhos no cinema, como "A Liga Extraordinária" e "Do Inferno". Mas ele foi responsável por isso, porque os direitos das obras eram dele e poderia ter mantido algum tipo de controle sobre os filmes se quisesse, dizendo "certo, vocês vão fazer o filme, mas vai ter que ser assim ou assado, ou eu não concordo". E ele não fez isso. Mas sinto por Alan ter achado tão ruim e, especialmente, por ter pedido que retirassem seu nome dos créditos.

Ele disse para o jornal The New York Times que o filme era uma prova de que Hollywood deve ser evitada a todo custo.
DL: Isso é estúpido. Eu tenho que dizer, isso é ridículo. Hollywood não deve ser evitada a todo custo, porque, a um nível muito básico, você tem um filme que espalha uma mensagem importante e com um valor filosófico fiel ao original — e eu digo que é fiel, independente do que Alan pense — e esse filme e essa mensagem estão atingindo milhões de pessoas a mais do que "V de Vingança" em sua forma original jamais conseguiria.

O que você achou do trabalho dos atores selecionados para Evey e V, Natalie Portman  Hugo Weaving?
DL: Eles foram ótimos, os dois estavam fantásticos. A cena que mais me marcou é de quando Evey sai da prisão e descobre que V é que estava aprisionando-a, toda aquela sequência. Ficou exatamente igual ao livro, foi como uma imagem ganhando vida para mim.

Fale sobre "Kickback", seu trabalho mais recente escrito e ilustrado por você.
DL: Kickback é a história de um policial corrupto em uma força policial corrupta e como e por que ele se livra dessa. Mas essa é uma explicação muito simples. A história se passa em uma cidade americana genérica, fictícia. Deixa eu pegar para você (ele começa a mostrar uma cópia do livro em inglês). Basicamente, é um suspense policial,
e sei que é uma premissa já usada em muitos filmes e séries, mas é mais do que isso. É
sobre um indivíduo e suas escolhas.
É bem mais profundo.

O realismo dos traços e as cores são impressionante. Você coloriu também?
DL: Vou te contar como eu fiz. A arte original era em preto-e-branco. Eu escaneei essa primeira versão, a imprimi e então pintei com lápis de cor. E então reescaneei a nova versão pintada e usei o Photoshop para transformar a pintura do lápis de cor em cores puras em algumas partes; em outras, mantive a textura.

Seus desenhos são muito realistas e você os faz basicamente à mão. O que você acha de artistas que trabalham só com o computador para atingir o efeito de realismo?
DL: Há uma certa tendência de usar muito computador, e acho que é preciso ter cuidado com isso, ou fica parecendo que tudo foi feito pela máquina. Essa foi a primeira vez que usei computação gráfica de um jeito mais expressivo e só o fiz quando achei que ela poderia ajudar a contar a história. É como se eu fosse um cozinheiro e estivesse adicionando alguns temperos extras. Desde que isso ajude e deixe o prato melhor, ótimo. Mas eu não colocaria tempero demais, senão você não sentiria o sabor de mais nada.

E o que pode nos dizer sobre seu trabalho em "Cidades Ilustradas"? Quais são suas impressões sobre a cidade até agora?
DL: Um amigo meu fez o livro sobre Salvador (BA). Ele me contatou em nome da editora (Casa 21) perguntando se eu queria fazer São Paulo e eu aceitei. Minhas impressões ainda são muito básicas, estou recebendo muitas informações. Eu quero
algo que represente as pessoas, o ponto de vista das pessoas. É um grande desafio, e
estou consciente disso.

Você pode nos falar um pouco sobre seu trabalho em War — História da Guerra (lançado no Brasil pela Opera Graphica Editora), com Garth Ennis?
DL: Eu fiquei muito satisfeito com ele, é um ótimo livro. Eu me diverti fazendo isso, mas foi trabalhoso. Como é uma história realista sobre a guerra, tive que fazer muita pesquisa. Cada navio, cada bomba foi retratado exatamente do jeito que era. Eu
tinha um monte de fotografias e livros de modelismo como referência.

Você tem um trabalho favorito entre tudo que já fez na sua carreira?
DL: Caramba, que pergunta difícil! Nesse momento, "Kickback" é a coisa mais importante para mim, porque ele fala sobre algo. E eu quero que todo o trabalho que eu faça seja sobre algo. Não quero ser apenas outro artista que escreveu outra aventura
do Batman ou outra história do Super-Homem, embora eu respeite quem faça isso. Mas eu não conseguiria, acabaria enlouquecendo. Eu quero que meu trabalho tenha algo a dizer, não seja apenas mais uma aventura.